‘O show tem um calor que o disco não consegue pescar’

Hoje em dia é música, publicidade, visão empresarial, tudo junto

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

No show, Ná Ozzetti adaptou canções cantadas por parceiros
alexandre eça/divulgação
No show, Ná Ozzetti adaptou canções cantadas por parceiros

Imersa em uma vida de calmaria, Ná Ozzetti aprendeu com a ioga que necessita renovar constantemente sua visão e posicionamento de mundo. Por isso, “Embalar”, seu mais recente disco, carrega uma congruência entre novos e veteranos compositores. “Uma espécie de renovação madura, um jogo entre o clássico e o moderno em que as canções saíram ganhando”, diz. Ao Magazine, a cantora paulista falou sobre a busca por novos talentos, as dificuldades de mercado e a possibilidade de lançar um DVD com todos os artistas que participaram do seu disco.

Entrevista Como você foi atrás de novos talentos para participar do “Embalar”?

É um pouco difícil falar sobre isso porque é bem complexo descobrir esses talentos. Não sei se foi descoberta. Acho que foi mais uma aproximação de nomes como a Tulipa Ruiz, que tem um laço forte comigo por ser filha do Luiz Chagas, que tocou com meu mestre Itamar Assumpção. Desde que ela se mudou para São Paulo, a gente tem uma proximidade muito grande. Eu cheguei a desenhar tulipas para a capa do primeiro disco dela, “Efêmera”, de 2010, mas nunca tinha acontecido uma parceria de composição em disco. Agora, outros nomes, como a Manu Lafer, que escreveu “A Lente do Homem”, fui conhecendo através de discos. Você reuniu sete participações em todo o álbum, além da própria banda que toca com você. Quando as canções são transpostas para o show, em cima do palco, há uma diferença muito grande para interpretá-las sozinha?

Eu cheguei a pensar que nos shows as pessoas sentiriam muito a falta das participações. Porque algumas canções, como “Minha Voz”, realmente tiveram mudanças bruscas do disco para o show. O que eu fiz para contornar isso foi trabalhar arranjos feitos essencialmente para eu cantar sozinha. Ou seja, foi uma ruptura grande tirar os vocais do Dante e do Makely Ka na música “Nem Oi”, mas ela ficou mais sutil cantada apenas por mim. Acaba que o show tem o calor humano que o disco não consegue pescar. “Embalar” tem riffs de guitarra na maioria das músicas. Apesar de o disco não ter pegada rock n’ roll, você tem alguma influência desse estilo?

Olha, eu fui muito influenciada por bandas de rock dos anos 70, como o Led Zeppelin, que é a minha preferida até hoje. Claro que as guitarras gritando alto foram uma influência disso. Como a ideia era tornar o disco o mais dançante possível, as guitarras caíram super bem nessa proposta. Depois de criar seu próprio selo, o Ná Records, como você vê o mercado fonográfico hoje?

Não sei se existe um mercado fonográfico nesse termo específico, como a gente chamava antigamente. Hoje em dia é música, publicidade, visão empresarial, tudo junto. Não ser refém de uma gravadora é uma dádiva. Desde 1999, quando criei o Ná Records para gravar o “Estopim” no mesmo ano, acredito que eu possa até lucrar menos, não sei, mas a liberdade artística que adquiri não tem preço. É possível “Embalar” virar um DVD com todas as participações?

Isso é uma ideia, mas não há nada sendo produzido ainda. É muito trabalhoso reunir quase dez pessoas para gravar um show para o DVD. Pode ser que até o fim do ano a gente se anime a fazer um registro da turnê porque ano que vem vou trabalhar num disco novo, de inéditas.

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