Nem na crise de 2009 o varejo vendeu tão pouco

Vendas em Belo Horizonte têm pior resultado em 5 anos

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Nunca se vendia tão pouco desde a crise financeira de 2009. De janeiro a maio deste ano, as vendas do comércio de Belo Horizonte cresceram 2,46% – o pior resultado dos últimos cinco anos. Em 2009, quando a quebradeira norte-americana espalhou-se mundo afora, as vendas cresceram 3,7%. Depois se mantiveram por três anos no patamar de 5,8% e, em 2013, cresceram 4,53%.

A economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos, explica que, em 2009, apesar da crise financeira, o consumo não chegou a ser afetado. Agora, no entanto, a crise é inflacionária. “As pessoas estão gastando muito mais com supermercado, por exemplo, e sobra menos dinheiro para outras compras”, avalia.

Na avaliação da especialista, quando o governo lançou políticas para facilitar o crédito, o consumo aqueceu. Mas, com a inflação em alta, nem todos conseguiram manter as prestações em dia.

Os números da inadimplência refletem o cenário do comprometimento da renda. No primeiro semestre deste ano, a taxa de calote subiu 3,39% em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre de 2013 subiu 5,32%. “Antes de as vendas caírem, a taxa de inadimplência sobe. Por isso, vemos agora o resultado da dificuldade de pagar que começou no ano passado”, explica Ana Paula.

Cancelamentos. Se de um lado a lista de devedores cresce, do outro, a quantidade de gente limpando o nome está menor. No primeiro semestre deste ano, o volume de pessoas que procurou o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) para retirar o nome dos cadastros subiu 0,08%. No mesmo período em 2013, a quantidade de cancelamentos na lista de inadimplentes cresceu 4,6%.

“A única política usada para conter a inflação é aumentar os juros. Mas tem que cortar gastos públicos e reduzir a carga tributária. Sem isso, a indústria não investe e, quanto menor o investimento direto, menor a geração de emprego e renda. Sem incentivar o investimento, o país não gera riqueza”, afirma a economista da CDLBH.

São Paulo

Julho. Os lojistas de São Paulo viram o faturamento cair 12,55% na primeira quinzena de julho em relação à primeira quinzena de junho, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

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