A esponja captadora da rainha

Cantora apresenta canções do álbum “Embalar”, no Teatro Bradesco, mesclando novos talentos e antigos parceiros

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Em várias oportunidades, a cantora Ná Ozzetti, 55, se rotulou pelo estranho apelido de “esponja captadora”– em alusão à sua capacidade de sugar novas possibilidades musicais sem medo de quebrar protocolos fonográficos. Foi assim quando comemorou 30 anos de carreira e, em vez de coletar os maiores sucessos em um show vanguardista, presenteou os fãs com o disco “Meu Quintal” (2011), todo de inéditas. Agora, antenada para talentos da nova geração, Ná Ozzetti volta a Belo Horizonte para interpretar o repertório ao mesmo tempo clássico e moderno do seu mais recente disco, “Embalar” (Ná Records/Circos Produções”), nesta sexta à noite, no Teatro Bradesco.

Acostumada em toda a carreira a trabalhar com poucos parceiros específicos, como Itamar Assumpção, Luiz Tatit e o irmão Dante Ozzetti, a cantora paulistana começou a descobrir jovens compositores escondidos do “Oiapoque ao Chuí”, como ela mesma define. “Hoje em dia, novos cantores aparecem aos montes. Mas compositores não têm a mesma repercussão. O Joãozinho Gomes, poeta do Amapá que assina ‘Os Enfeites de Cunhã’, eu conheci ouvindo um disco da Patrícia Gomes. E, como o volume de novos discos independentes é muito grande, às vezes fica difícil conhecer tudo”, diz.

Ritmo. Em turnê pelo país há mais de seis meses, o show “Embalar” chega à capital mineira com uma pegada ainda mais pop do que o disco. Isso porque as apresentações até aqui permitiram que a cantora moldasse o show para ganhar mais groove e movimento nas canções, se arriscando inclusive a tocar percussão. “A ideia era ter algo poético como em ‘Meus Quintais’, mas mais dançante como no disco ‘Balangandãs’ (2009), em homenagem a Carmen Miranda. Depois dessa temporada de shows até agora, acho que consegui trazer esse suingue ao palco”, avalia.

Boa parte das mudanças sonoras fica a cargo do irmão Dante Ozzetti (violões), responsável pelos pré-arranjos do disco e tido como guia musical dos instrumentistas Mário Manga (guitarras e violoncelo), Sérgio Reze (bateria e gongos melódicos) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo), que há dez anos tocam juntos como banda de apoio de Ná. “Nesses últimos shows, o que mais se ressaltou foi a guitarra pesada do Mário, ela é nosso norte na maioria das canções com estilo bem rock n' roll. E isso caiu muito bem na voz da Ná, como um equilíbrio perfeito entre o sutil e o agressivo”, diz Dante Ozzetti.

Esse equilíbrio aparece também na mistura entre vanguardismo e contemporaneidade dos letristas. Logo na abertura do show, “Embalar”, dobradinha dos veteranos Dante Ozzetti e Luiz Tatit, mostra porque dá titulo ao disco. Em uma série de rimas com terminações em “ar”, a guitarra de Mário Manga confere densidade a versos enxutos que exemplificam as buscas sonoras de Ná Ozzetti: “Quer saber? Vou levar!/ Esse som e o de lá / Pode empacotar”.

Da nova safra de compositores, a parceria do paulistano Kiko Dinnucci e o capixaba Jonathan Silva em “Lizete”, um malandro conto de amor lésbico, inesperadamente lembra a década de 80, quando Ná integrava o irreverente Grupo Rumo e marcava seu nome no movimento Vanguarda Paulista. Já as letras dos mineiros Déa Trancoso, que assina “Minha Voz”, e Makely Ka, presente em “Nem Oi”, cadenciam a poesia de Ná Ozzetti com versos quase monossilábicos.

Uma das principais participações fica com Tulipa Ruiz, filha do guitarrista Luiz Chagas, que integrou a banda de Itamar Assumpção, um dos compositores mais gravados pela cantora. O novo talento paulistano compôs a letra do rock dançante “Pra Começo de Conversa”, em cima de melodia da própria Ná Ozzetti.

Todo o cenário do show ainda é ilustrado por um videocenario composto por dezenas de fotos de Ná, feitas por meio da técnica Pinhole – princípio básico da fotografia que explora uma câmera escura feita numa caixinha de madeira, acoplada a um filme fotográfico. “As fotos foram feitas numa técnica de experimentação porque é assim que me sinto com a banda nesta quinta, experimentando tudo”, completa Ná Ozzetti.

Agenda

O QUÊ. Ná Ozzetti apresenta show do disco “Embalar”

ONDE. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, centro)

QUANDO. Nesta sexta, às 21h

QUANTO. R$ 40 (inteira)e R$ 20 (meia-entrada)

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