Varejo foca no bom e barato

Supermercados investem em marcas exclusivas para atender cliente, que busca qualidade e preço

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Escolha. A pedagoga Adriana Oliveira e a filha Débora já se habituaram a comprar produtos de marca própria em busca do melhor preço
FOTO: Osvaldo Ramos / Divulgacao
Escolha. A pedagoga Adriana Oliveira e a filha Débora já se habituaram a comprar produtos de marca própria em busca do melhor preço

As gôndolas dos supermercados estão sempre abarrotadas de opções. Em tempos de inflação assombrando os consumidores, algumas vão tornando-se mais atrativas, como as marcas próprias. Elas são conhecidas por trazer o nome do estabelecimento nos produtos ou por serem exclusivas daquele supermercado. Desde 2006, o Extra, do grupo GPA, trabalha com diversas marcas exclusivas em segmentos como alimentação, higiene, beleza, itens de cama, mesa e banho.

A principal vantagem percebida pelo consumidor ainda é o preço. No caso do Extra, os valores podem chegar a 20% mais baixos se comparados com os de produtos líderes de mercado. A reportagem de O TEMPO fez uma pesquisa no supermercado Walmart e encontrou produtos de 18% a 36% mais baratos da marca exclusiva. Os consumidores também percebem a diferença e acabam escolhendo a opção mais barata. A pedagoga Adriana Oliveira tem o hábito de comprar produtos das marcas próprias. “O que eu busco é sempre preço, e o que percebo é que, em termos de qualidade, normalmente é a mesma coisa”, opina. Ela também salienta que gosta de experimentar os produtos e, se não gosta, não volta a comprar. “Já comprei arroz e café, e não gostei. Então, nesses casos não abro mão de uma marca conhecida”, diz a pedagoga. A vendedora Natille Karine Oliveira também não vê diferença na qualidade dos produtos. Ela comprou uma palha de aço da marca própria por R$ 1,19, sendo que a marca líder de mercado custava R$ 1,86. Essa visão, porém, não é compartilhada por todos. A designer gráfica Juliana de Souza Vaz não tem confiança nos produtos. “Podem até ser mais baratos no caso do Walmart, mas não confio que sejam bons. Eles têm poucas opções de escolha nas gôndolas. Como um supermercado grande, eu esperava que tivesse mais marcas, e parece que, baixando os preços dos produtos próprios e deixando só mais uma outra opção, a gente fica obrigado a comprar o produto deles”, afirma. Justamente essa visão de que a marca própria traz um produto mais barato, mas de qualidade inferior, é que o SuperNosso tenta combater com o lançamento de sua linha própria, que abrange pão de queijo, palito de queijo, palmito e sorvete italiano artesanal. De acordo com fontes da empresa, a estratégia ao lançar os produtos próprios foi investir em qualidade e, por isso mesmo, não existe a preocupação em oferecer um preço mais baixo, pelo contrário. A fidelização é o principal objetivo nesse caso. Mesmos produtos mais baratos, segundo o gerente do setor de perfumaria e químicos de uma loja do Walmart em Contagem Júlio César Gil, podem fidelizar o cliente se tiverem boa qualidade. “Tenho produtos do meu setor, como fraldas, que, quando faltam na gôndol,a recebo e-mail dos meus clientes reclamando. Eles vêm à loja buscando aquele produto e não levam outro”, explica.

Crescimento Itens. As empresas varejistas têm investido cada vez mais na diversificação de marcas e aumento do número de produtos oferecidos. O grupo GPA já tem sete marcas e mais de 2.000 produtos.

Leia tudo sobre: varejomarcas própriasbom e barato