Festa de afinidades musicais

Ellen Oléria chega a Belo Horizonte e recebe a cantora cubana Yusa em show que realizam nesta quinta no Teatro Bradesco

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Versátil. Ellen Oléria interpreta canções de artistas que marcam sua carreira e também criações autorais
Diego Bresani/divulgação
Versátil. Ellen Oléria interpreta canções de artistas que marcam sua carreira e também criações autorais

No intervalo da gravação de um novo single, em um estúdio de Brasília, Ellen Oléria atende o telefone. Ela disse estar trabalhando na música que vai apresentar em primeira mão ao público de Belo Horizonte, no show a ser realizado nesta quinta à noite no Teatro Bradesco. A canção criada por ela e Pedro Martins tem também contribuições de Yusa, compositora cubana com quem divide o palco esta noite.

“Eu disse para Yusa ficar à vontade para escrever algo que poderíamos cantar junto, e ela chegou mandando aquele espanhol bonito”, ri em seguida Ellen Oléria. Animada com a parceria, ela ressaltar haver uma conexão entre as duas permeada por afinidades, por exemplo, a maneira como bebem nas mesmas referências.

“Apesar de estarmos ancoradas em galhos distintos de uma grande árvore musical, eu noto que nós lidamos com a tradição da música afro-diaspórica. A presença negra na América Latina, de uma maneira muito peculiar na região do Caribe, onde ela vive, se reflete no modo como Yusa toca e isso dialoga bastante com os ritmos que nós chamamos de brasileiros”, observa Oléria.

Para ela, é o olhar para o repertório de matriz afro, somado a outros segmentos tradicionais e contemporâneos que une o estilo de ambas. “O contato com todas essas heranças é sem dúvida um vínculo. Yusa traz inclusive um instrumento local, chamado três, que imprime todo um suingue para o som que fazemos. Apesar das poucas cordas que possui, é bem complexo tocá-lo e isso é algo legal que ela compartilha com a gente”, acrescenta.

Embalada pelo primeiro disco lançado no ano passado, após vencer a primeira temporada da versão brasileira do programa “The Voice Brasil”, Oléria pontua que a apresentação basicamente está centrada naquele álbum batizado com o seu próprio nome. Canções que conquistaram os jurados do reality show, como “Zumbi”, de Jorge Ben Jor, tem espaço garantido. Ela sublinha que essa, ao lado de outras, estão presentes porque acompanham a sua carreira de mais de uma década.

“Quando eu entrei para o programa, boa parte daquelas músicas já seguiam comigo ao longo da vida. É o caso de ‘Zumbi’, que me abriu várias portas. Então, no show, como no CD, eu mostro um pouco das minhas influências. Eu revisito criações de Gilberto Gil, Alceu Valença e tantos outros. Mostro também algumas releituras de músicas que lancei em 2009, no meu primeiro álbum de carreira, criado antes mesmo de participar do ‘The Voice’”, detalha a artista.

O encontro aqui, de acordo com a brasiliense, aposta no teor contagiantes dos ritmos que costura, transitando assim por várias universos, do hip hop ao samba. “No show, o público vai perceber essa pegada mais dançante. Há muito balanço, com funk, soul, e todos aqueles outros elementos que compõem a minha música. Nossa intenção é fazer barulho e um som poderoso capaz de emocionar as pessoas, como vem acontecendo em vários lugares que tocamos”, resume.

Em relação a um próximo projeto, Oléria diz que no próximo ano é possível sair um novo CD. “Dizem que quando acabamos um álbum já estamos prontos para outro. Estamos em fase de experimentação de alguns timbres, e sim, vem coisa nova por aí”, finaliza.

Trajetória

Antes de vencer o “The Voice”, Ellen Oléria já era aclamada por artistas, o que rendeu convites para abrir shows de Lenine e Chico César, entre outros.

Agenda

O quê. Show de Ellen Oléria

Quando. Nesta quinta, às 21h

Onde. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes)

Quanto. R$60 (inteira) e R$30 (meia)

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