Ousadias marcam remake de “O Rebu”

Fotografia de Walter Carvalho e montagem são destaques da nova novela

iG Minas Gerais | Luciana romagnolli |

Sophie Charlotte vive Duda, jovem rica e apaixonada por Bruno
Estevam Avellar/Globo
Sophie Charlotte vive Duda, jovem rica e apaixonada por Bruno

A primeira cena de “O Rebu” bastou para o espectador perceber que não estava diante de mais um clichê novelesco. Num longo plano sequência, a câmera se move pelo salão de festa da mansão Mahler, passando de personagem a personagem, como uma presença entre eles. Coisa rara na viciada rotina televisiva, de plano e contraplano, tão restritiva para a movimentação dos atores. Era só um anúncio da liberdade criativa que já se pode ver na novela das 23h, lançada pela Globo na segunda-feira.

O tom de sedução e mistério tinge grande parte das cenas, fotografadas por Walter Carvalho (parceiro do diretor Julio Bressane) e dirigidas por José Luiz Villamarim (o mesmo de “Amores Roubados” e “O Canto da Sereia”).

E ainda que pese o dramalhão, encarnado na passionalidade de Gilda (Cássia Kiss Magro) e na choradeira de Duda (Sophie Charlotte, como uma Audrey Hepburn moderna), “O Rebu” mostrou em dois capítulos ousadias de roteiro e montagem incomuns para o padrão da emissora.

O espectador pode até estranhar as frequentes idas e voltas entre passado e presente. Não faltou nem mesmo flash back dentro de flash back. Mas é inegável que essa liberdade de encadeamento da história potencializa não só o mistério de quem matou Bruno (Daniel Oliveira), mas todas as relações complicadas entre os ricaços e seus empregados.

Concentração. Na versão de Bráulio Pedroso, “O Rebu” (1974) tinha 112 capítulos, concentrados em dois dias de acontecimentos, e mantinha segredo também sobre a identidade do morto. A revelação prematura de que Bruno é a vítima da vez é coerente com a redução do remake a 36 episódios.

Não faltam mistérios paralelos a conhecer num elenco que traz pratas da casa, como Tony Ramos, Patrícia Pillar e Vera Holtz, além de talentos do teatro – como Mariana Lima – e cinema – Jesuita Barbosa (revelação em “Tatuagem”’).

Esses dois, porém, ainda não puderam mostrar a que vieram. A curta duração dos capítulos, o horário avançado e a não exibição às quartas (dia de futebol) são pedras no sapato de uma cuidadosa produção, capaz de renovar o interesse do espectador cansado das mesmas formas e fórmulas.

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