BC mantém Selic em 11%

Inflação ainda alta no país faz Copom manter taxa nas alturas, apesar de apelos do setor produtivo

iG Minas Gerais |


O Copom também é presidido por Alexandre Tombini, do BC
VALTER CAMPANATO-ABR
O Copom também é presidido por Alexandre Tombini, do BC

O Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (dia 16) manter a taxa Selic em 11% ao ano. Foi a segunda manutenção seguida do juro básico, após uma sequência de nove altas, iniciadas em abril do ano passado. A pausa no ciclo de aperto monetário já era esperada por economistas, que enxergam estabilidade no juro básico até o fim de 2014, pelo menos. A avaliação se baseia no enfraquecimento da economia e no alívio recente na inflação, apesar de os preços ainda permanecerem pressionados em 12 meses.

O IPCA, índice oficial da inflação no país, ficou em 0,40% em junho, ante 0,46% no mês anterior. Em 12 meses, porém, chegou a 6,52%, estourando o teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5% ao ano, com margem de dois pontos para cima ou para baixo.

Para Marcos Coelho e Charles Magno, do Banco Mizuho, o período de pausa deve ser pautado nos sinais inequívocos de enfraquecimento da atividade econômica doméstica e na deterioração da perspectiva de crescimento do país. “O efeito dos juros está sendo limitado por uma inflação de custos, como salário mínimo e tarifas, e pela política fiscal. Se a política monetária fosse mais frouxa, a inflação seria mais de 8%”, disse.

Para Eduardo Velho, economista-chefe INVX Global Partners, somente uma surpresa positiva em relação à inflação e uma recessão poderiam levar a um corte de juros este ano.

O presidente em exercício da Fiemg, Flávio Roscoe, considera ineficiente a estratégia da manutenção da taxa Selic em 11%, tanto em relação à questão inflacionária quanto à atividade econômica, cada vez mais enfraquecida. Roscoe defende o uso de outras ferramentas, como a adoção de políticas fiscais mais austeras. Ele lembra que a majoração da taxa Selic pune a atividade industrial e não tem conseguido segurar a inflação.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 2 e 3 de setembro.

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