Dilma diz que banco do Brics não muda participação do país no FMI

Na capital cearense, a presidente anunciou nesta terça, ao final da cúpula dos Brics, a fundação do banco, com US$ 50 bilhões de capital para financiar projetos de infraestrutura nos Brics

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um dia depois de formalizar a criação do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (16) que a instituição não diminui a participação brasileira em órgãos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional). Ela disse, contudo, que o fundo não reflete a correlação mundial de forças do G-20, acordado antes mesmo do estouro em 2008 da crise econômica mundial.

"O que nós reivindicamos por exemplo no FMI é que haja aquilo que foi acertado quando da criação do G-20 e toda a reação diante da crise de 2007 e 2008 foi acertado que haveria essa adequação. A representação econômica dos países seria refletida no acordo de cotas", disse a presidente.

"Nós não temos o menor interesse em abrir mão do fundo monetário, pelo contrário. Temos interesse em democratizá-lo e torná-lo mais representativo. O novo banco dos BRICs não é contra, ele é a favor de nós. É diferente. É uma postura completamente diferente. E terá sempre uma postura diferenciada em relação aos países em desenvolvimento", continuou.

A fala ocorreu depois de agenda bilateral nesta quarta-feira no Palácio da Alvorada com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Trata-se de uma agenda paralela ao segundo dia de reunião dos Brics, que terá sede desta vez em Brasília, depois de um dia inteiro em Fortaleza.

Na capital cearense, a presidente anunciou nesta terça, ao final da cúpula dos Brics, a fundação do banco, com US$ 50 bilhões de capital para financiar projetos de infraestrutura nos Brics e em outros países em desenvolvimento, montante que pode chegar a US$ 100 bilhões.

A Índia exigia ter a sede do banco em Nova Déli. Mas a China insistiu em tê-la em Xangai. O governo brasileiro dizia que o Brasil seria o primeiro a presidir o banco. Mas, no final, teve de abrir mão.

Dilma, nesta quarta, minimizou o fato de ter cedido para que o banco fosse criado e criticou a imprensa. "Eu acho fantástico, eu acho típico do Brasil. Se a gente tivesse ficado com a primeira vice-presidência, a imprensa estaria hoje dizendo: 'o Brasil perdeu a sede'", ironizou.

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