Os detalhes que fazem toda a diferença na Copa

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Em 1976, assisti no Mineirão à partida entre o Cruzeiro e o Bayern de Munique, pela final do Campeonato Mundial Interclubes. No primeiro jogo, em Munique, o Cruzeiro, jogando sob neve, havia perdido de 2 a 0. Os alemães chegaram a BH no dia do jogo, após uma viagem extenuante. Era dezembro, um calor infernal. Acreditava-se que o Cruzeiro reverteria a desvantagem. Prevaleceu um 0 a 0, e os alemães se sagraram campeões. Como hoje, o Bayern de Munique era a base da seleção germânica que ganhara a Copa do Mundo de 1974, derrotando o mágico Carrossel Holandês. Em suas fileiras brilhavam o goleiraço Sepp Mayer, o kaiser Franz Beckenbauer, o artilheiro Gerd Müller. Jogavam também os craques Uli Höness e Karl Rummenigge, que mais tarde se tornariam presidentes do clube. Era uma equipe fantástica! Ali constatei que os jogadores alemães primam mesmo pela razão: disciplina, equilíbrio, concentração e objetividade. Emoção? Só depois do apito final, na hora de comemorar o título. Há quatro anos estive em Munique. Ao tomar um táxi, o motorista logo esnobou: “Feliz com a nossa goleada sobre a Argentina na Copa da África do Sul?”. Meu simpático condutor revelou ser técnico de uma equipe amadora de seniores (mais de 60 anos!). Mas, para meu espanto, contou-me que o time era regularmente matriculado na Federação Alemã de Futebol e que todos os jogadores eram obrigados a fazer três check-ups médicos e um exame de legislação futebolística por ano! Não bastasse isso, disse-me que, nas escolinhas de futebol, crianças de 7 anos treinavam com tapa-olhos, como piratas, para aumentar a acuidade visual, que aprendiam até como amarrar chuteiras e que a meninada era obrigada a assistir a aulas teóricas sobre táticas de futebol. Lá, sim, treinador pode ser chamado “professor”. O placar de 7 a 1 não me surpreende. É expressão da organização do futebol alemão. Os estádios ficam lotados até em jogos da terceira divisão. Entre os jogadores, nada de firulas e oba-oba. Já notaram como no meio deles não há esse festival de tatuagens ou de penteados exóticos? E, para que não digam que sigo uma ideologia abjeta, assinalo desde logo: perceberam a pluralidade étnica de um time que conta com sobrenomes como Özil, Khedira e Boateng? Essa obsessão por organização se observa também em todos os outros esportes. É só esperar as Olimpíadas de 2016, no Rio, para vermos tudo isso se repetir. Obsessão em fazer benfeito que igualmente se enxerga nas artes, nas ciências, na filosofia, no direito etc. Ah? Falei em direito? Pois vejam. O citado e famoso Uli Höness, como eu disse, tornou-se presidente do milionário Bayern de Munique, mas atualmente encontra-se atrás das grades, cumprindo pena por sonegação fiscal e evasão de divisas. E aqui? O que se passa com nossos cartolas? Bem, lidam com políticos... Em lugar de Höness, assumiu Rummenigge, que ofereceu a Joachim Löw a base dessa potência que nos deixou atônitos e maravilhados em pleno Mineirão. Tal como fiquei naquele já longínquo ano de 1976.

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