Em Lagoa Santa, VMI inova com scanner inédito no mundo

Empresa mineira atrai Exército dos EUA, IMLs e investidores externos com a invenção de aparelho

iG Minas Gerais | Helenice Laguardia |

Segunda geração. O engenheiro eletrônico Alan Viegas, diretor técnico da VMI, diz que o scanner demandou muito tempo de pesquisa
VMI/DIVULGAÇÃO
Segunda geração. O engenheiro eletrônico Alan Viegas, diretor técnico da VMI, diz que o scanner demandou muito tempo de pesquisa

Tem equipamento feito na planta da VMI, em Lagoa Santa, em cerca de 56 aeroportos do país, inclusive em Confins, na Grande BH. Além de ser especializada em sistemas de segurança, a empresa está numa nova fase com a venda de um scanner, o Flatscan, pioneiro no Brasil e no mundo, e que demorou três anos para ficar pronto. A máquina – 100% desenvolvida pela VMI e certificada em laboratório dos EUA – auxilia o médico-legista a identificar a causa da morte de uma pessoa.  

O diretor técnico da VMI, Alan Moraes Viegas, 27, conta que o Flatscan começou a ser produzido no fim de 2013. “Como é um equipamento novo, temos um grande volume de procura”, diz o executivo, na segunda geração da família. No Brasil, tem cerca de dez equipamentos em fase final de aquisição. “Quatro minutos é o tempo gasto para o médico-legista fazer a aquisição completa da imagem do corpo”, calcula o engenheiro eletrônico. O equipamento, de acordo com Viegas, possui uma resolução de imagem alta, o que facilita a identificação da causa da morte e o processo de necropsia. “Em determinados casos, num corpo baleado, o equipamento vai identificar a posição da bala, mas ela tem que ser retirada. Se for comparar com o equipamento convencional utilizado atualmente, isso vai demorar de 30 a 40 minutos”, explica Viegas. Segundo ele, em situações de guerras e catástrofes o tempo menor pode ajudar muito. O Flatscan custa R$ 750 mil. Esse valor poderá ser reduzido conforme o crescimento da demanda tanto no mercado interno como para exportação. Apesar do valor alto na compra, o Flatscan tem baixíssimo custo de operação e instalação. O aparelho convencional precisa de construção de alvenaria e blindagem para o funcionamento. O Flatscan não precisa de nada disso. Criação. A invenção do scanner foi uma ação mútua entre a família Viegas. A ideia da criação, de acordo com o engenheiro eletrônico, surgiu de uma necessidade do cliente. “Porque o Instituto Médico Legal (IML) tem dificuldade de fazer a radiografia dos corpos para identificação da causa da morte. E essa demanda surgiu do IML de São Paulo”. A invenção demandou investimentos de R$ 42 milhões, no período de 2010 até 2014, incluindo a reestruturação da planta fabril para produzir o scanner. Viegas informa que não existe no mundo uma máquina similar como o Flatscan. Ele afirma que o Flatscan demandou bastante pesquisa por ser um equipamento que não possui similar nem no mercado interno e nem no mundo. A estimativa da VMI para o novo aparelho é a de atingir, no próximo ano, a produção de 50 equipamentos para o mercado nacional e também para exportação. Criada em 1985, a VMI Médica fabricava equipamentos médicos de raio X para hospitais. Em 2001, a família Viegas abriu a divisão VMI Segurança para fabricar máquinas de raio X e equipamentos de controle de acesso (câmeras e equipamentos de monitoramento). Em 2007, a VMI Médica foi adquirida pela Philips, por um valor não divulgado pela empresa, e a VMI Segurança continuou com a família Viegas. 

Interesse IML. O IML de Belo Horizonte já fez testes do Flastcan na VMI e está na fase de formar o descritivo técnico do aparelho para fazer o edital, e, assim, formatar a licitação. O Exército Americano está em fase de teste do aparelho.

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