Imóveis passarão por vistoria

Trabalho em cerca de 150 pontos deve começar ainda nesta semana e deve demorar 30 dias

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Trabalho para liberação do trânsito na avenida Pedro I ainda não foi concluído
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Trabalho para liberação do trânsito na avenida Pedro I ainda não foi concluído

Devem começar ainda nesta semana os trabalhos de vistoria interna nos cerca de 150 imóveis no entorno do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou no último dia 3, deixando duas pessoas mortas e 23 feridas. De acordo com a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, técnicos de uma empresa contratada pela construtora Cowan, responsável pelo elevado, percorrerão apartamentos, casas e estabelecimentos próximos para verificar se apareceram rachaduras ou trincas. Desde o acidente, diversas vistorias vêm sendo feitas nas áreas externas dos condomínios Antares e Savana, ao lado do viaduto, mas essa será a primeira vez que as equipes vão checar o interior de cada imóvel. A previsão é que os trabalhos durem 30 dias.  

Diferentemente da vistoria na área externa, que tem checado muros, estruturas e pilares dos prédios duas vezes por dia, a chamada vistoria cautelar vai identificar possíveis danos causados pelo desabamento dentro de cada imóvel, comparando os resultados com levantados anteriores. “Antes do início das obras, foi realizada uma vistoria cautelar em todos os apartamentos. Isso é de praxe em todas as obras de grande porte, para identificar as anomalias possíveis que o imóvel pode estar apresentando”, explicou o engenheiro Eduardo Pedersoli, da Defesa Civil.

Segundo ele, alguns moradores alegam que apareceram fissuras e trincas em seus apartamentos. “É justamente para isso que serve a vistoria cautelar. A empresa já tem uma anterior à obra e, comparando com a próxima, vai poder identificar se houve ou não algum agravamento ou surgimento de algum dano”. Em caso positivo, o engenheiro esclarece que serão apuradas as responsabilidades para que sejam pagas indenizações aos proprietários e feitos reparos nos imóveis.

Embora não dê uma data exata para início dos trabalhos, a Defesa Civil afirma que a vistoria cautelar deve começar ainda nesta semana. Segundo o órgão, estão sendo finalizados, neste momento, os procedimentos administrativos necessários com os condomínios. A previsão é que sejam quatro dias de trabalho para cada bloco.

Presidente da Associação dos Moradores das Avenidas Pedro I, Vilarinho e adjacências, a advogada Ana Cristina Drumond diz que a solicitação de vistoria dentro de cada apartamento já vinha sendo feita há mais de uma semana. “Foi uma requisição da comissão de moradores à Defesa Civil. Não adiantava olhar só a parte externa, sendo que a interna também está sendo abalada”, diz. “Alguns apartamentos têm rachaduras desde o início da obra”.

A advogada pretende levar ao Ministério Público nesta quarta material contendo fotos e relatos dos moradores dos condomínios Antares e Savana sobre os danos causados pela proximidade do viaduto. “O Ministério Público ofereceu ajuda, e estamos relatando tudo o que está sendo vivenciado”, disse.

Trânsito livre Ainda não há data para a liberação do tráfego na avenida Pedro I, onde caiu o viaduto Batalha dos Guararapes. A Defesa Civil havia informado que a circulação de veículos retornaria no último sábado, o que não aconteceu. A nova previsão é para “os próximos dias”. Nessa segunda, técnicos continuavam trabalhando no reforço do escoramento da alça que permaneceu, no corte da estrutura que desabou e na sinalização e no recapeamento das vias. Operários deram início a uma reforma no acabamento do passeio que liga a pista mista à pista exclusiva do Move.

Encontro Está prevista para o início da próxima semana a reunião entre representantes da construtora Cowan e familiares de Hanna Cristina Santos, 24, a motorista do ônibus atingido pela queda do viaduto Batalha dos Guararapes no último dia 3. No encontro, parentes vão solicitar da empresa um novo veículo. De propriedade da família, o coletivo que fazia a linha S70 era fonte de renda para o sustento de sete pessoas. Hanna e o irmão se revezavam na direção, enquanto outra irmã e uma cunhada trabalhavam como cobradoras.

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