Toda premiação tem os injustiçados

Grandes atores ficam de fora dos indicados a melhores da TV norte-americana

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Vera Farmiga, espetacular em “Bates Motel”, não foi indicada
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Vera Farmiga, espetacular em “Bates Motel”, não foi indicada

Na semana passada, a Academy of Television Arts & Sciences divulgou os indicados ao Emmy 2014, que premia os melhores da televisão norte-americana no período entre junho de 2013 e maio de 2014. E… começou a sessão de choro e ranger de dentes, afinal parte da graça de qualquer premiação é reclamar por causa dos que ficaram de fora. A essa altura, você que gosta de televisão já viu a enorme lista e sabe que, como esperado, “Game of Thrones” (HBO), “Breaking Bad” (AMC) e “Orange Is the New Black” (Netflix) estão entre as mais indicadas.

Mas vamos engrossar o coro dos que lamentam certas ausências. Onde está Tatiana Maslany? É inacreditável que a academia não tenha listado a canadense entre as candidatas a melhor atriz em série dramática. Ao interpretar seis clones em “Orphan Black” (BBC America), nos faz esquecer que todos são, na verdade, ela, e mais ninguém. A atuação de Vera Farmiga em “Bates Motel” (A&E) também é muito mais digna da nominação ao Emmy do que, por exemplo, a de Michelle Dockery em “Downton Abbey”. Provavelmente Maslany e Farmiga não teriam chance diante das outras competidoras, mais maduras, consagradas e estabelecidas em emissoras maiores. Mesmo assim, mereciam a distinção de disputar – certamente mais que Kerry Washignton, a canastrona de “Scandal” (ABC).

Outro lamentável esquecimento foi Michael Sheen, que emociona com sua interpretação de William Masters (“Masters of Sex”, HBO), ao mesmo tempo contida e poderosa. Falta também, na lista oscarizada da premiação televisiva, uma menção qualquer a “Hannibal” (NBC). Embora não seja forte nos números, a série sobre Hannibal Lecter é um dos melhores programas em exibição hoje. E o dinamarquês Mads Mikkelsen, que consegue transmitir as emoções do psicopata até com um inflar das narinas, tem um lugar garantido na minha lista particular.

“The Good Wife” (CBS) encabeça a lista do “Como assim não?” na categoria melhor série dramática. Ela provou que nem tudo está perdido: em pleno quinto ano de vida, matou um personagem principal, apresentou outros e se reinventou, fazendo de longe uma das melhores temporadas dessa leva da televisão norte-americana. Teria chance? Sejamos honestos: não, diante de “Breaking Bad”, “Game of Thrones” e da genial e favorita “True Detective” (HBO), mas deveria estar lá.

Fogo amigo. Duas grandes favoritas estão numa posição difícil. “Fargo” (FX) colocou Martin Freeman e Billy Bob Thornton concorrendo a melhor ator em minissérie ou filme para TV. E “True Detective” emplacou Woody Harrelson e Matthew McConaughey na disputa por melhor ator em série dramática. Além da concorrência brutal das outras séries, que tem gente do naipe de Kevin Spacy, Bryan Cranston e Benedict Cumberbatch, eles têm que enfrentar seus colegas de trabalho.

Dos quatro, só McConaughey, que neste ano já ganhou um Oscar, está no auge. Os outros não são mais tão jovens, estão longe de serem bonitões e nem andam pipocando em tudo quanto é série. Para eles, dificilmente podemos dizer “quem sabe no ano que vem”. É agora ou nunca, e o páreo é muito duro.

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