A despedida de Vange Leonel

Artistas e políticos celebram o engajamento e a música da cantora e escritora, cujo corpo foi cremado ontem

iG Minas Gerais |

Carreira. Após passagem pela banda Nau, Vange lançou dois discos solos e se enveredou na literatura
LUCIANA DI FRANCESCO/DIVULGACAO
Carreira. Após passagem pela banda Nau, Vange lançou dois discos solos e se enveredou na literatura

Familiares e amigos se despediram ontem da cantora, escritora e ativista Vange Leonel, que morreu na segunda-feira, aos 51 anos, vítima de um câncer de ovário. O velório foi realizado ontem pela manhã, no Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo. No mesmo local, o corpo da artista foi cremado ontem à tarde, por volta das 14h.

Vange ficou conhecida especialmente pela música “Noite Preta”, que foi tema de abertura da novela “Vamp”, sucesso da rede Globo em 1991. A canção fazia parte do disco “Vange”, lançado no mesmo ano.

Aquele foi o primeiro trabalho em carreira solo, iniciada após a saída da banda Nau, com a qual a cantora começou na música, nos anos 1980. O grupo lançou apenas um disco homônimo e já chamou a atenção de referências pop como Cazuza.

Com o segundo disco solo, “Vermelho”, de 1996,o sucesso comercial não veio, e Vange optou por trocar a música pela literatura. Em 1999, ela estreou com o livro “Lésbicas”. Em textos para blogs, como colunista de jornal e em outros espaços, Vange valorizou mulheres lésbicas e defendeu os direitos de minorias. Na revista “Carta Capital”, mantinha uma página sobre outra de suas paixões: as cervejas.

Repercussão. A repercussão da morte da cantora mobilizou representantes de diversos setores artísticos. Marta Suplicy, ministra da Cultura, declarou: “Vange enfrentou com arte e coragem o preconceito e a intolerância. Os movimentos feminista e LGBT perdem uma ativista de peso. Perdemos também uma artista”.

Na mesma linha, o deputado federal Jean Wyllys comentou: “O Brasil perdeu uma de suas artistas mais engajadas. Entendia que não existia arte não-política. Vange usou suas letras para dar voz às mulheres num ambiente tão masculino como é o LGBT”.

Outro que destacou a atuação política da paulista foi o escritor João Silvério Trevisan. “Ela ia contra a corrente. Tinha coisas que feministas e lésbicas odiariam: gostava do masculino e isso é quase um palavrão dentro da militância. Estava longe de ser machista, era feminista à sua maneira”. O blogueiro Vitor Angelo sintetizou a importância da postura da artista: “Ela e Ângela Ro Ro foram exceção à regra na MPB. Falam que Daniela Mercury foi corajosa, mas Vange fez isso bem antes”.

Para o músico e apresentador Luiz Thunderbird, “no Brasil havia duas cantoras: ela e a Cássia Eller. Fizeram rock de altíssimo nível”, disse.

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