Com aparência nova

Depois de um ano e meio, revitalização do Centro de Referência Audiovisual (Crav) é concluída e instituição retoma atividades a partir de hoje

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Sede. A fachada do casarão revitalizado.
fotos Uarelen valério
Sede. A fachada do casarão revitalizado.

Revitalização de patrimônios. Essa poderia ser a frase da Fundação Municipal de Cultura (FMC) para sintetizar as ações realizadas, desde o final do ano de 2012, nos museus e teatros da capital mineira que estão sob os cuidados da instituição. Depois do Museu Abílio Barreto, Casa Kubitschek, o Teatro Franciso Nunes, entre outros, foi apresentada ontem a sede revitalizada do Centro de Referência Audiovisual (Crav), que, a partir de hoje, retoma suas atividades e volta a receber o público para visitas e pesquisas, sem a necessidade de agendamento prévio.

As mudanças no casarão, localizado na avenida Álvares Cabral, 560, no centro, aconteceram prioritariamente na estrutura física. Todas as paredes da parte interna e externa foram pintadas com tinta de silicato para preservar as cores naturais; a fachada da casa recebeu novo processo de iluminação; e o telhado foi reformado de forma a evitar infiltrações. O total de investimento foi de R$ 150 mil.

“As transformações feitas são importantes não só para manter o imóvel bem cuidado, mas também para proteger o acervo”, comenta o gestor responsável pelo Crav, Gilvan Rodrigues. A instituição conta com cerca de 60 mil itens, entre películas, magnéticos e digitais, fotografias, cartazes de cinema, discos de vinil e objetos tridimensionais relacionados à memória da produção audiovisual sobre Belo Horizonte, prioritariamente.

“O acervo é disponibilizado para diversos propósitos: subsidiar pesquisas acadêmicas, como fonte para produzir outros filmes e também para desenvolver projetos”, afirma a técnica em patrimônio da FMC, Isabel Cristina Beirigo.

Apesar das melhorias, ainda há trabalho a ser feito. Na parte localizada debaixo do casarão estão mesas enroladeiras, reservas climatizadas onde são conservados filmes, e três moviolas – das quais uma ainda aguarda reparos. Lá estão guardados ainda 40 mil rolos de filmes, dos quais 49% estão disponíveis para o público. “Alguns ainda precisam ser ‘processados’ (catalogados)”, comenta Cristina. Mas, além disso, há os exemplares que precisam de restauração, que não é feita no Crav e depende de recursos que o órgão não tem. “Entre 10% e 15% dos filmes precisam de restauração”, afirma.

Para o preservador audiovisual e mestre nessa área, que trabalhou no Crav entre 1999 e 2008, Alexandre Pimenta, o acervo atualmente acessível representa um crescimento significativo. “Antes, um número bem menor de filmes era disponível para o público, pois o processo de restauração é muito caro e dificultado, pois é feito no Brasil apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além disso, houve aquele período complicado entre 2008 e 2010, mais ou menos, em que ninguém sabia direito o que fazer com o Crav, e ele quase deixou de existir. Por tudo isso, acredito que esse (os 49%) é um excelente número”, comenta.

Segundo Pimenta, que atualmente é preservador no Arquivo Público Mineiro, o Crav representa uma iniciativa pública governamental pouco comum. “Desde o início do cinema, fala-se em preservação, mas tudo sempre aconteceu o contrário do que se falava, e 90% do cinema brasileiro hoje, por exemplo, está perdido. Há pouquíssimas iniciativas nessa área, por isso ter o Crav é uma coisa rara”, opina.

E como toda raridade, ele precisa de cuidados específicos. “O principal é manter a continuidade do trabalho e investimentos no setor. Nesse ponto, ter funcionários concursados é muito benéfico. É também importante que a preservação comece a partir do próprio produtor e, para isso acontecer, é importante que exista uma rubrica dos projetos destinada a isso”, aconselha.

Planos Futuros. A revitalização do Crav é mais um caminho na direção da formação do Museu da Imagem e do Som (MIS). A ideia, de acordo com o presidente da FMC, Lêonidas Oliveira, já tem um plano museológico em análise pelo Iphan. “O MIS será formado pelo Crav e pelo Cine Santa Tereza, que já está em processo de restauração e recebeu o investimento de R$ 1,3 milhão. E ainda temos o sonho de integrar o Cine Pathê. É uma luta da qual ainda não temos certeza de vitória”, comenta.

As visitas ao Crav acontecem entre segunda e sexta-feira, das 9h às 17h.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave