Em depoimento, funcionário se exime de responsabilidade no caso Whelan

Britânico é suspeito de integrar uma quadrilha de venda ilegal de ingressos para jogos da Copa

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Dois funcionários do Copacabana Palace, tradicional hotel da zona sul do Rio, já prestaram depoimento na 18ª DP do Rio (Praça da Bandeira, zona norte) sobre o caso da fuga do diretor-executivo da empresa Match, o britânico Raymond Whelan, suspeito de integrar uma quadrilha de venda ilegal de ingressos para jogos da Copa, que fugiu do hotel após um mandado de prisão preventiva ser expedido.

Foram ouvidos pela polícia o segurança Euclides da Silva Rodrigues, que permitiu a saída de Whelan e de seu advogado, Fernando Fernandes, e o gerente operacional do hotel, Miguel Fragoso Mendes Garcia. O segurança falou na segunda (14) e o gerente operacional prestou depoimento nesta terça (15).

Ambos se eximiram de responsabilidade pela fuga, dizendo que o hotel tem como regra permitir a entrada ou a saída de hóspedes por qualquer um dos sete acessos do prédio, desde que ele se identifique.

De acordo com o inspetor-chefe da delegacia, Vicente Barroso, o Copacabana Palace colaborou com as investigações e não será mais intimado a prestar depoimento.

Foi aberto um novo inquérito para apurar o papel de Fernandes na suposta fuga. Ele é suspeito do crime de favorecimento pessoal por ter auxiliado na fuga de Whelan.

Ele será intimado a depor pela segunda vez nesta terça-feira (15). Procurado, Fernandes não foi localizado pela reportagem.

O CASO

Mais cedo, foi divulgada a informação de que o delegado titular Fábio Barucke, da 18ª DP, marcou para o meio-dia desta terça (15) o depoimento da gerente do Copacabana Palace, Andréa Natal. Ela seria suspeita também de auxiliar na fuga do diretor-executivo da Match. Barucke disse desconhecer a informação de que ela teria sido intimada a depor.

Whelan se apresentou na tarde de segunda (14) ao Tribunal de Justiça do Rio. À noite, ele foi levado para o presídio de Bangu 10, no complexo penitenciário de Gericinó, na zona oeste da cidade.

Na sexta (11), Fernando Fernandes informou que, como advogado, tem a prerrogativa de defender o seu cliente. "Tenho imunidade profissional e estamos tomando as medidas", disse o advogado.

A quadrilha de venda ilegal de ingressos para jogos da Copa foi descoberta após três meses de investigações. Os policiais descobriram que o grupo desviava ingressos do pacote de hospitalidade (exclusividade da Match, segundo a Fifa), das federações, de jogadores de futebol, meia-entrada e cortesia para o mercado negro, onde era vendido acima dos preços estipulados pela polícia.

A quadrilha esperava lucrar R$ 200 milhões com a venda dos bilhetes na Copa. A polícia calcula que por jogo o grupo ganhasse até R$ 1 mil com os ingressos.

No momento, além de Whelan, outros 11 suspeitos de integrarem a quadrilha estão presos, entre eles o franco-argelino Mohamadou Lamine-Fofana, 57. Tanto Whelan como Lamine Fofana negam qualquer irregularidade com a venda de ingressos.

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