Parreira não quer treinador estrangeiro no comando da seleção

Coordenador técnico do escrete canarinho durante a Copa do Mundo acha que estrangeiro sofreria com muita pressão e não daria certo

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Parreira também defendeu maior investimento nas categorias de base
Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
Parreira também defendeu maior investimento nas categorias de base

Coordenador técnico da seleção brasileira na Copa do Mundo, Carlos Alberto Parreira disse que não vê com bons olhos a chegada de um treinador estrangeiro para dirigir o time nacional, que terminou a Copa do Mundo com o quarto lugar.

Com a saída de Luiz Felipe Scolari, o presidente da CBF, José Maria Marin, já admite a possibilidade de contratar um estrangeiro, embora ainda não tenha uma definição. "Não há necessidade [de um treinador estrangeiro]. Grandes seleções têm que ter técnico local. O cara de fora que chegar aqui vai sofrer muito. E quando ele começar a entender, já era, já foi...", disse Parreira em entrevista ao programa Bate Bola, do canal ESPN Brasil.

"Não sou contra a ideia, mas acho difícil implementar um trabalho com um treinador estrangeiro. Em seis jogos, se ele perde três, já vão criticar. Acho que tem gente competente aqui para dar continuidade a esse trabalho", afirmou Parreira.

Felipão entregou o cargo no sábado (12), logo após o time brasileiro ter sido derrotado, com facilidade, pelos holandeses, por 3 a 0, em Brasília, na disputa pelo terceiro lugar. A seleção encerrou o Mundial na quarta colocação após uma campanha com três vitórias, duas derrotas e dois empates.

A contratação de um treinador estrangeiro conta também com o apoio de jogadores. Ao deixar o estádio de Brasília, Daniel Alves defendeu a contratação de um técnico nascido no exterior após a série de fiascos no Mundial.

"Isso não deu certo na Inglaterra, por exemplo. [Sven Göran] Eriksson foi um fracasso. [Fabio] Capello foi um fracasso maior ainda", disse Parreira, que defendeu o investimento nas categorias de base para que a seleção volte a ter sucesso.

"O Brasil é formador de base. Temos que voltar a fazer isso. O Brasil deve incrementar o trabalho de divisões de base e revelar jogadores de alto nível. Os jogadores estão saindo muito cedo do Brasil. Atualmente, o jogador brasileiro conclui sua formação como atleta no exterior", disse.

Parreira admitiu ainda que a derrota para a Alemanha "foi vergonhosa". A seleção perdeu por 7 a 1, em Belo Horizonte, pelas semifinais. Foi a maior derrota na história centenária da equipe nacional

"Nas últimas três Copas, foi a primeira que ficamos entre os quatro melhores. Esse resultado foi vergonhoso, foi desastroso, é a maior derrota de todos os tempos, mas quantas vezes a seleção perdeu de sete? Foi uma única vez. Não vai acontecer uma segunda vez".