ONG pede que Brasil defenda direitos humanos na Rússia

Segundo a ONG Human Rights Watch Brasil, o presidente russo Vladimir Putin procura enfraquecer instituições internacionais de direitos humanos em nome da soberania nacional

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Associated Press
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A Human Rights Watch Brasil pediu que o Brasil se manifeste a favor dos direitos humanos na Rússia, em um comunicado divulgado nesta terça (15).

Para Maria Laura Canineu, diretora da ONG, a sexta cúpula dos Brics, que começou na segunda (14) em Fortaleza, é uma oportunidade para que o Brasil estimule a Rússia a acabar com a repressão aos dissidentes. "Como um país que reconhece e estimula a sociedade civil, o Brasil deve insistir para que seus parceiros façam o mesmo", disse Canineu.

Segundo a ONG, o presidente russo Vladimir Putin procura enfraquecer instituições internacionais de direitos humanos em nome da soberania nacional.

A Human Rights Watch pediu que o banco dos Brics, proposta a ser discutida na cúpula, "viabilize a realização de direitos sociais e econômicos e respeite os direitos humanos".

O comunicado destaca que o respeito aos direitos civis se deteriorou após a reeleição de Putin em 2012, melhorou no contexto dos Jogos de Inverno de Socchi e voltou a piorar com a crise da Ucrânia -já que opiniões contrárias à anexação da Crimeia são punidas.

Leis

A Human Rights Watch Brasil destaca que migrantes e homossexuais são vítimas da "retórica do ódio, inclusive por parte de representantes governamentais".

A nota cita algumas leis adotadas no país desde 2012, como o registro obrigatório de organismos internacionais que tenham atividade política como "agentes estrangeiros", a lei que proíbe a veiculação de propaganda homossexual e a lei que obriga blogs com mais três mil visitas diárias a obedecer a regulamentação para mídias de massa.

"O Kremlin tenta rotular indivíduos e organizações que criticam publicamente as políticas do governo como traidores e tanta associar crítica independente a extremismo", disse Tanya Lokshima, diretora do Programa Rússia e pesquisadora da Human Rights Watch.

"Se o Brasil quer continuar a ser visto como um líder em assuntos globais, deve defender estes princípios ao tratar com países que os desprezam", reforçou Canineu.