Eleição será decidida com o bolso

Cientistas políticos se dividem sobre o favoritismo da presidente Dilma na disputa de outubro

iG Minas Gerais |

Reeleição. Dilma Rousseff é considerada favorita por alguns analistas, mas outros falam em desgaste
Roberto Stuckert Filho/PR
Reeleição. Dilma Rousseff é considerada favorita por alguns analistas, mas outros falam em desgaste

Cientistas políticos se dividem ao fazerem uma análise da disputa presidencial deste ano. Há quem acredite que existe um claro favoritismo da presidente Dilma Rousseff (PT) e há os que apostam no esgotamento dos discursos petista e governamental, o que favorecia aos candidatos oposicionistas. Uma coisa, porém, os analistas dão como certa: é uma eleição de dois turnos e há espaços para qualquer um dos candidatos alcançar a vitória. Em outro ponto há convergência dos cientistas. Todos avaliam que a questão econômica será decisiva para o voto do brasileiro.  

Para o professor e cientista da PUC Gilberto Damasceno, o governo do PT, em função da manutenção dos programas bem-sucedidos, mantém uma hegemonia que coloca Dilma na condição de favorita. “Aécio Neves e Eduardo Campos crescem com muita dificuldade de penetração. Dilma é favorita. Os outros ainda estão correndo atrás”, disse.

Ele ainda avalia que o bolso terá um peso importante na eleição. “Quem conseguir convencer o eleitor do ponto de vista da economia cotidiana pode sair vencedor.”

Em relação as possíveis influências da Copa do Mundo na eleição, Damasceno afirma que não vê consequências. “Quem foi aos jogos e vaiou é uma elite. Não é esse o público que define a eleição”, avalia.

Opinião muito semelhante tem Malco Camargos, cientista político da PUC e diretor do Instituto Ver. Ele avalia que a Copa poderia prejudica o desempenho de Dilma Rousseff se a organização do evento tivesse fracassado. “A Copa passou no teste e não terá mais influência. Não há nenhuma relação entre vencedores da Copa e eleições”.

Camargos também vê a presidente Dilma Rousseff como favorita. “O tempo que Dilma tem na televisão faz com Dilma seja favorita”, afirma, lembrando que ela tem quase o dobro de tempo de seus dois principais rivais.

Ele ainda avalia que nenhum dos concorrentes poderá se colocar como “o candidato da ética”, o que não poderá provocar um desequilíbrio na disputa.

Ele também acredita que o bolso será importante na definição do voto. “A campanha vitoriosa é aquela que mais se aproxima da realidade do eleitor”, analisa ao se referir ao poder de compra e a outros fatores que influenciam na qualidade de vida dos brasileiros.

Apesar de apostar no favoritismo, ele crê na realização do segundo turno

O consultor de marketing político Marcos Iten aposta em um segundo turno, mas tem uma visão diferente. Para ele, há uma redução do “ambiente de polarização entre PT e PSDB”. Ele avalia que Dilma sofre um desgaste por não ter conseguido imprimir uma marca ao seu governo seja pessoal ou da gestão.

O consultor destaca ainda que a petista tem perdido blocos de eleitores especialmente no Nordeste, em função da candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e da dissidência do PMDB na região. “Dilma não tem perspectiva de conquistar novos blocos. Esses já estão se alinhando a Aécio Neves e Campos”, destaca.

Para Iten, a situação econômica pode ser decisiva no pleito. “Vamos ter momentos difíceis. As contas públicas estão mais altas. O supermercado esta mais caro. E ninguém vai poder colocar a culpa em Fernando Henrique Cardoso ou Lula. Toda a responsabilidade será de Dilma Rousseff”, afirma.

Para o analista de marketing, o país vive um momento de falta de perspectiva e até de decepção para o qual o PT não oferece mais a alternativa.

Item acredita que os gastos voltados para a Copa podem ser bom argumento para a oposição se forem associados às perdas em setores essenciais, como saúde e educação.

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