Logística do país é inadequada

Setores do agronegócio e da indústria em Minas falam de perda de competitividade no mundo

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Exigências. Empresários querem incentivo ao comércio entre os países
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Exigências. Empresários querem incentivo ao comércio entre os países

No primeiro dia da reunião dos Brics, grupo de países formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, nessa segunda, em Fortaleza, especialistas em comércio exterior dos setores de agronegócio e indústria em Minas criticaram a logística do país. Segundo eles, as exportações brasileiras poderiam ser maiores se o país tivesse infraestrutura adequada.  

Só que o problema não está apenas nas estradas precárias, ferrovias e portos inadequados. Eles ressaltam que os altos custos que incidem na produção reduzem a competitividade dos produtos nacionais fora do país. “Os problemas, muitas vezes, estão concentrados do lado de fora da porteira”, frisa o superintendente do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Vilela.

Ele observa que os produtores brasileiros pagam mais caro por insumos – como é o caso do adubo e também maquinário – do que os concorrentes norte-americanos. “A culpa é da elevada carga tributária brasileira. Também convivemos com problemas históricos de rodovias inadequadas e falta de investimento em ferrovias. Aliás, o governo brasileiro inaugura porto em Cuba, enquanto que aqui a estrutura dos portos deixa a desejar”, frisa.

Vilela critica a burocracia e ressalta que é necessário realizar uma reforma trabalhista. Para ele, as legislações devem ser simples e pautadas na realidade dos setores.

Ele conta que a federação está elaborando listas de prioridades para entregar aos candidatos ao governo mineiro. “Agora, no que refere-se às exportações, o governo federal é que acaba tendo participação mais efetiva”, observa.

O presidente do Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), Archimedes Coli Neto, conta que há vários entraves ao comércio exterior, um deles é o custo logístico, além da burocracia. “É importante investir em tecnologia e simplificar os procedimentos. Exportamos pelo porto seco de Varginha. Só que quando chega ao porto de Santos tem que fiscalizar. Os dados poderiam ser interligados. Poderia ter um chip, por exemplo, com todas as informações dos produtos desde o porto seco. Isso daria mais agilidade”, diz.

Indústria. O consultor de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Alexandre Brito, observa que o bom resultado do comércio internacional depende de diversos fatores. “O cenário externo não tem como o governo controlar, mas ele pode ajudar internamente, por exemplo, com melhoria das estradas e portos. O custo com transporte é alto no Brasil”, observa.

Para ele, uma das demandas do setor exportador é a simplificação fiscal. “Não há incidência de ICMS para os produtos que são exportados, mas na cadeia produtiva, sim. Isso, claro, impacta nos custos e torna os produtos nacionais menos competitivos”, diz.

Mercosul também não rende bons negócios para o Brasil

O Mercosul está estagnado na avaliação do consultor de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Alexandre Brito. Ele considera a união aduaneira importante e ressalta que é necessária a diversificação do mercado exportador. O superintendente de Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Pierre Vilela, afirma que um dos principais problemas do Mercosul é político. “Não há continuidade. Mudam os governos, mudam as formas de tratamento do Mercosul”, analisa. Vilela destaca que o Mercosul é importante, mas não deve ser o único foco do governo, já que em termos econômicos do bloco, apenas a Argentina compra mais do Brasil.

Conheça os países que formam os Brics Os números das cinco potências em desenvolvimento no Mundo: Brasil População: 202.842.600 PIB: US$ 2,422 trilhões China População: 1,351 bilhão PIB: US$ 8,227 trilhões África do Sul População: 51,19 milhões PIB: US$ 555,340 bilhões Rússia População: 143,5 milhões PIB: US$ 2,558 trilhões Índia População: 1,210 bilhão PIB: US$ 5,425 trilhões

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