Com alta da Selic, juro do crédito sobe 15% em um ano

Cartãofoi a categoria que mais teve aumento para consumidor

iG Minas Gerais |

BRASÍLIA. Está cada vez mais difícil o consumidor brasileiro conseguir financiamento. Tomar dinheiro emprestado no Brasil está muito caro. A alta da taxa básica de juros, a chamada Selic, em pouco mais de um ano atingiu em cheio o custo de tomar crédito no país. Segundo levantamento realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa de juro praticada no crédito subiu 15,27% no período de pouco mais de um ano.  

Em abril de 2013, a Selic estava em 7,25% ao ano. Atualmente está em 11% ao ano. E nesta terça, em Brasília, começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir a nova taxa básica, que deve ser anunciada nesta quarta-feira, dia 16.

O cartão de crédito foi a categoria que mais sofreu aumento. Quando a Selic estava em 7,25% ao ano, no cartão era cobrado juro de quase 193% ao ano. Atualmente, a taxa já está em 238,67% – uma alta de 23,7%.

Em simulação é apontada a diferença que isso faz no bolso do consumidor. Ao utilizar o rotativo do cartão por 30 dias, no valor de R$ 3 mil, o cliente teria pagado R$ 281,10 de juros no ano passado. Em 2014, já pagaria o valor de R$ 321.

Em longo prazo, as diferenças tornam-se maiores. No financiamento de um automóvel de R$ 25 mil em 60 meses, o custo subiu R$ 2.401. No ano passado, o veículo teria saído por R$ 38.482,90. Em 2014, o financiamento custaria R$ 40.884,39

Nova Selic. E esse custo pode ficar ainda maior nos próximos meses para o consumidor e empresas brasileiras. Caso a taxa de juros suba a partir desta semana, o custo irá acompanhá-la.

Analistas da Anefac fazem previsões para dois cenários. Se subir dos atuais 11% para 11,25%, a taxa média do crédito avançará de 101,98% para 102,44%. Em uma alta maior – para 11,5% –, o juro do crédito passará para 102,90%. Na última reunião do Copom, a Selic foi mantida em 11% e, para a maioria do mercado, a taxa deve seguir nesse patamar até o fim do ano.

Comitê

Formação. O Comitê de Política Monetária (Copom) é formado pelo presidente e diretores do Banco Central, que se reúnem a cada 45 dias para fixar a taxa básica de juros, a Selic.

Objetivo é a inflação sob controle BRASÍLIA. O objetivo das mudanças nos juros é manter a inflação sob controle, ou seja, cumprir a meta de inflação para o ano. A decisão do Banco Central (BC) sobre os juros é soberana e não precisa de aprovação da presidente da República nem do ministro da Fazenda. Já a meta de inflação é fixada pelo governo federal. A expectativa dos analistas do mercado financeiro para esta nova reunião do Copom é que a taxa básica de juros– a Selic– deve seguir o mesmo patamar atual.

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