O múltiplo Richard Strauss

Orquestra Filarmônica realiza segundo concerto em homenagem ao compositor alemão hoje, no Palácio das Artes

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Convidada. A soprano Adriane Queiroz participa da apresentação das composições “O Burguês Fidalgo” e “Quatro Últimas Canções”
Sergey Mirov
Convidada. A soprano Adriane Queiroz participa da apresentação das composições “O Burguês Fidalgo” e “Quatro Últimas Canções”

Dando continuidade ao festival que celebra 150 anos de nascimento do compositor e maestro Richard Strauss (1864-1949), a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais apresenta hoje, no Palácio das Artes, quatro obras do artista que expressam a pluralidade como um dos pilares que alicerçam sua carreira. O concerto conta ainda com participação especial da soprano Adriane Queiroz.

“Strauss é um dos grandes, talvez esteja na lista dos dez mais importantes da história da música erudita. É um compositor que explorou todas as possibilidades da música para orquestra, por isso todos os integrantes da filarmônica apreciam muito apresentar suas obras, pois percebem a genialidade, atestado pelo detalhes de orquestração e beleza da harmonia das composições”, diz o maestro Fabio Mechetti.

O espetáculo de hoje faz parte de uma tríade de apresentações preparadas para o mês de julho – a primeira aconteceu no dia 3 e a última será realizada no dia 24, com a participação do trompista Szabolcs Zempléni. A ideia é percorrer todos os caminhos musicais experimentados pelo compositor.

Nesse contexto, a apresentação de hoje exemplifica a diversidade profissional que caracteriza a carreira do compositor. O concerto mistura uma ópera, uma serenata, um poema sinfônico e uma canção para orquestra, que se assemelham apenas por serem camerísticas.

Repertório. Inspirada na comédia teatral “O Burguês Fildago”, do dramaturgo francês Moliére (1622-1673), a peça homônima que abre a noite representa o segmento poema sinfônico (musicalização de um poema ou texto literário). “É uma obra muito madura e bela para se apresentar”, avalia Mechetti.

Na sequência, a cena final de “Capriccio”, uma ópera metalinguística que faz uso da história da condessa Madeleine para promover um debate. “Há uma eterna discussão filosófica, e até mesmo amorosa, entre o papel da letra e da música na concepção de uma ópera. Essa obra de Strauss mostra essa relação ao contar a história do triângulo amoroso entre uma mulher que se apaixona por um músico e um poeta e que, enquanto uma ópera é elaborada ao seu redor, deve decidir com qual ficar”, conta Adriane, que participa deste ato.

Criada para ser executada por 13 instrumentos de sopro, a terceira peça do programa, “Serenata em Mi Bemol maior”, é um trabalho mais simples, produzido enquanto o homenageado da noite tinha apenas 17 anos. “É uma demonstração dos grandes trabalhos que ele conceberia no decorrer de sua vida”, diz Machetti.

Ironicamente, a última obra do concerto foi também a última produzida pelo compositor alemão. “Quatro Últimas Canções” é uma espécie de ode à morte. “São quatro canções que falam, sob diferentes ângulos, sobre o fim da vida, mas de forma positiva. Um poema, por exemplo, descreve a queda das folhas no outono. É como se nós (seres humanos) fôssemos essas folhas que vão caindo. É muito bonito”, descreve Adriane.

Natural do Estado do Pará, Adriane é solista da Opéra de Berlim e, pela segunda vez, se apresenta com a filarmônica mineira. Antes disso, passou pela Universidade Vienense de Artes, onde formou-se em ópera e lied (piano e voz assumem a mesma importância no palco e é utilizada na ultima peça). Este gênero a aproxima de Strauss, um dos maiores compositores para o formato, ao lado de Brahms (1833-1897) e Schubert (1797-1828).

“Quando estudei lied, duas professoras minhas me disseram que minha voz era mais propicia para cantar músicas do período romântico e, por isso, estudei muito as peças de Strauss. Além disso, para mim, as construções de ópera para soprano estão entre as melhores”, afirma Adriane.

Agenda

O quê. Orquestra Filarmônica homenageia Robert Strauss com participação de Adriane Queiroz.

Quando. Hoje, às 20h30

Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Inteira:

R$ 70 (plateia), R$ 54 (plateia II) e R$ 36 (plateia superior)

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