Rivalidade só quando a bola rolar

Galo e hermanos estreitaram laços por conta da Copa do Mundo e amizade entre dirigentes

iG Minas Gerais | Fernando Almeida |

Intercâmbio.  
Argentina ficou na Cidade do Galo durante a Copa do Mundo e o Atlético se prepara em Ezeiza para a Recopa
JOAO GODINHO / O TEMPO
Intercâmbio. Argentina ficou na Cidade do Galo durante a Copa do Mundo e o Atlético se prepara em Ezeiza para a Recopa

O futebol é moldado por rivalidades, por duelos tradicionais que mexem com o brio dos torcedores. O embate entre Brasil e Argentina foi reavivado, ainda mais intenso, na Copa do Mundo em solo verde-amarelo e mostrou que o fanatismo de alguns pode levar a consequências desagradáveis. Apesar desta rixa histórica sul-americana, o Atlético deixa claro que uma parceria entre brasileiros e argentinos pode dar ótimos frutos.  

As reuniões entre as cúpulas do Galo e da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) tiveram início no meio de 2013 e, ainda no ano passado, fecharam um acordo que acabaria provando ser bom para as duas partes envolvidas.

De um lado, a seleção alviceleste usufruiu de um dos centros de treinamentos mais completos do Brasil e, de quebra, ganhou o apoio de muitos torcedores atleticanos. Isso foi comprovado logo na chegada da seleção argentina, quando muitos alvinegros compareceram à porta da Cidade do Galo prometendo torcer por Lionel Messi e seus companheiros.

Na outra parte, o Atlético teve como retribuição a possibilidade de treinar no CT oficial da AFA, em Ezeiza, e estreitou ainda mais os laços com Julio Grondona, presidente da associação hermana e homem forte na Fifa e na Conmebol.

Exemplos. Após a final do Mundial no Brasil, verdadeiros combates nas ruas e metrôs do Rio de Janeiro entre argentinos desolados e brasileiros provocadores foram testemunhados. Bastou um dia, contudo, para os jogadores alvicelestes e atleticanos servirem de exemplo para os fanáticos de ambos os países e ressaltarem que pode haver uma cumplicidade entre os países vizinhos.

Logo depois de pisar em Buenos Aires nessa segunda, a equipe hermana se dirigiu para o CT em Ezeiza, onde aconteceu o amistoso encontro entre estrelas brasileiras e argentinas. O destaque ficou para a conversa entre ex-companheiros de Barcelona-ESP, os astros Ronaldinho Gaúcho e Lionel Messi, que ficaram por cerca de 15 minutos trocando palavras. Para ter mais privacidade, a resenha aconteceu fora dos olhares da imprensa.

Alvinegros e alvicelestes

Começo. O presidente Alexandre Kalil tomou a frente das negociações no meio de 2013, iniciando as conversas com o cartola da Asociación del Futbol Argentino (AFA), Julio Grondona, aproveitando um amigo em comum entre eles.

Desenvolvimento.Em agosto do mesmo ano, uma comitiva da AFA esteve na Cidade do Galo para conhecer as instalações. No dia 23 de novembro, um encontro realizado na sede da associação, em Ezeiza, com dirigentes argentinos e atleticanos, fechou oficialmente o acordo. Uma das formas de pagamento foi o uso alvinegro do CT da AFA visando à preparação para a Recopa contra o Lanús.

Fim. A Argentina chegou à Cidade do Galo no dia 9 de junho, pisando pela última vez no CT alvinegro no dia 12 de julho, antes de ir ao Rio para a final da Copa.

Precaução

Torcidas. Um bom número de torcedores do Atlético é esperado na Argentina para o duelo de ida da Recopa Sul-Americana contra o Lanús-ARG. Existe um receio de violência entre brasileiros e argentinos por conta de gozações sobre a recente perda do título mundial dos hermanos. Mas esse medo pode ser minimizado pela boa relação dos alvinegros, já que muitos torceram pela Argentina na Copa devido à estadia na Cidade do Galo.

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