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Fundação Municipal de Cultura busca atrair mais gente ao diversificar atividades e horários de seus museus

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Flexível. Museu histórico Abílio Barreto funciona até mais tarde nas quintas-feiras para atrair mais gente
RODRIGO CLEMENTE / O TEMPO
Flexível. Museu histórico Abílio Barreto funciona até mais tarde nas quintas-feiras para atrair mais gente

O francês Guy Debord, lá em 1967, já discutia o caminho “fácil” que resumia a cultura dirigida somente ao espetáculo, em seu livro “A Sociedade do Espetáculo”. Em tempos em que se debate o papel da arte e seu alcance, e a formação de público, é preciso ter cuidado para não se deixar levar por essa redução simplista.

A diretora de políticas museológicas da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Luciana Feres, entende que eventos como o Noturno nos Museus – que acontece na próxima sexta-feira em vários espaços da cidade, estendendo seus horários até a 0h –, possa restringir a visão do público e direcioná-lo para essa falsa acepção reducionista. Por outro lado, no entanto, de maneira otimista, ela crê que o evento pode ser uma chave, um abridor de portas. “Isso acontece, as pessoas são atraídas pela quantidade de atrações. Pela novidade de se visitar um museu num horário pouco comum. Eu acho positivo de toda forma, porque pode gerar uma relação de interesse mais profunda a longo prazo. Esse evento tem um caráter didático, de educação patrimonial”, afirma.

A aura que paira sobre a arte e seus espaços também é algo que, na opinião da diretora, deve ser revisto. Já que os espaços museológicos geridos pela FMC e por outras entidades recebem público aquém do que deveria. “Existe uma barreira invisível. Algumas pessoas sentem que não pertencem a alguns lugares, que não podem frequentar esse ou aquele espaço, mas a arte é para todo mundo. As pessoas não precisam ser cultas para gostar de arte. É um tipo de sensibilidade que se desenvolve de várias formas. Então, nos interessa todo tipo de gente” ressalta.

Noturnos faz parte de uma política pública da FMC para museus. Atualmente, todos os museus geridos pela FMC não cobram entrada. “As pessoas não gostam de pagar ingresso aqui, né? Pagam quando viajam para o exterior, mas aqui o pessoal reclama. Todos os nossos museus são gratuitos, mas não sei até quando vamos continuar”, avisa. A segunda edição de Noturno também ajuda a FMC a estabelecer uma rede de seus espaços museológicos. “Existe uma ideia de se estabelecer um Sistema Municipal de Museus e, de alguma forma, nós já conseguimos fazer uma articulação de gestão operacional desses espaços por conta desse evento”, revela Feres.

Interessados em diversificar e atrair mais e mais gente, os museus, garante a gestora, têm se reinventado ao redor do mundo. Nesse sentido, a ideia de uma rede museus e espaços culturais abertos até mais tarde é uma iniciativa que pode colher bons frutos. “Algumas pessoas veem os museus como espaços que guardam a história de uma maneira bastante obsoleta. Existe obviamente uma necessidade de se preservar a memória. Os museus são espaços de conhecimento. A Pampulha, por exemplo, é o berço do Modernismo brasileiro. Isso precisa ser bem cuidado! Por outro lado, existe movimento nos museus. Eles podem fazer parte da vida. Aqui em Belo Horizonte e em outros lugares do mundo, os museus estão se reinventando, procurando soluções para atrair o público, como funcionar em horários e dias diferentes para conseguir novos frequentadores”, finaliza a diretora.

De graça!

Locais. Abílio Barreto, CRAV, Casa do Baile. Museu da Pampulha, Casa Kubistchek e Centro de Referência da Moda têm entrada gratuita.

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