Experimento secreto do Facebook pode ter algum lado positivo

Apresentar mensagens felizes gerava posts mais felizes

iG Minas Gerais | Farhad Manjoo |

Stuart Goldenberg/The New York Times
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Nova York, EUA. A revelação feita recentemente de que o Facebook mexeu com os feeds de notícias de cerca de 700 mil usuários como parte de uma experiência psicológica em 2012 desnudou o que poucas empresas de tecnologia admitem: o fato de que possuem poderes enormes para monitorar de perto, testar e até mesmo modelar nosso comportamento, geralmente sem que conheçamos tais capacidades. A publicação do estudo, segundo o qual apresentar às pessoas mensagens levemente felizes nos feeds as fazia publicar atualizações mais felizes e que mensagens tristes geravam posts tristes, deu origem a uma torrente de indignação de pessoas que consideraram perturbador o fato de que o Facebook brincaria com as emoções de usuários insuspeitos. Como o estudo foi conduzido em parceria com pesquisadores acadêmicos, deu a impressão de violar as regras que protegem as pessoas de se tornar objeto de estudo sem autorização. Porém, se virmos o estudo do Facebook e sua publicação como uma maneira pela qual usamos a mídia social, o fato pode fornecer vislumbres importantes acerca de alguns dos mistérios mais profundos do comportamento humano. O Facebook e boa parte do resto da web estão cultivando placas de Petri de contato social, e muitos pesquisadores de ciências sociais acreditam que, ao analisar nosso comportamento online, poderiam descobrir por que e como as ideias se espalham por meio de grupos, como formamos nossas visões políticas e o que nos persuade a agir com base nelas, e até mesmo por que e como as pessoas se apaixonam. A maioria das empresas da internet realiza experiências extensivas com os usuários para testar produtos e com outros fins comerciais, mas o Facebook deu um passo incomum ao se associar a acadêmicos interessados em pesquisar temas não imediatamente pertinentes aos seus negócios. Tais esforços resultaram em várias descobertas importantes nas ciências sociais. Entretanto, existe outro benefício. É somente compreendendo o poder da mídia social que podemos começar a nos defender contra seus piores abusos potenciais. O estudo mais recente do Facebook provou que ele pode influenciar os estados emocionais das pessoas – você não ficou feliz com isso? Críticos que há muito tempo argumentam que o Facebook é poderoso demais e que necessita ser regulamentado ou monitorado agora podem citar a própria pesquisa da empresa como prova. Depois do protesto contra a pesquisa do Facebook, podemos ver poucos desses estudos da empresa e do resto do setor da tecnologia. Seria uma pena. “Seria devastador”, afirmou Tal Yarkoni, pesquisador de psicologia da Universidade do Texas. “Até agora, se você conhecesse a pessoa certa no Facebook e fizesse uma pergunta interessante, um pesquisador poderia conseguir que colaboradores dentro da empresa trabalhassem nesses problemas. Porém, o Facebook não precisa fazer isso. Eles têm muito a perder e quase nada a ganhar com a publicação”. Geralmente não se sabe quem foi escolhido. Usuários colocados em grupos experimentais são selecionados por acaso. O problema é que obter o consentimento pode complicar os resultados. “O Facebook poderia lançar um balão de ensaio pedindo para os usuários concordarem em participar de cada teste, mas isso bagunçaria os resultados, pois as pessoas estariam se selecionando para o estudo”, disse Yarkoni. Problema semelhante é enfrentado por pesquisadores médicos e de ciências sociais que não atuam na internet.

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