Relação comercial entre Brics deixa a desejar e ameaça bloco

Melhorar acordos entre os países, principalmente com a China, é o principal desafio do encontro

iG Minas Gerais |

Parceiro. Dilma recebeu ontem em Brasília o presidente russo Vladimir Putin e há possibilidade de comércio entre os países melhorar
Roberto Stuckert Filho / PR
Parceiro. Dilma recebeu ontem em Brasília o presidente russo Vladimir Putin e há possibilidade de comércio entre os países melhorar

Brasília e Fortaleza. A reunião dos Brics, grupo econômico que reúne os países emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, começou nessa segunda em Fortaleza e tem seu ponto alto nesta terça com a reunião entre as principais autoridades. O principal desafio é romper barreiras comercias dentro do próprio grupo. Relatório do Banco Mundial sobre as implicações para o Brasil de uma China em transformação recomenda redução das tarifas e barreiras não tarifárias entre os dois países.

Segundo o documento, divulgado nessa segunda, Brasil e China impõem barreiras mais elevadas sobre os produtos em que o outro tem vantagem comparativa. Elas e a escalada tarifária afetam a capacidade de o Brasil diversificar as exportações de maior valor agregado para a China.

Ao apresentar o estudo, o conselheiro econômico do Banco Mundial Jorge Araújo disse que há ineficiências no intercâmbio em razão da política comercial. Segundo ele, o ambiente não é favorável à integração dos dois países. O diretor de Estudos e Relações Econômicas e Internacionais do Ipea, Renato Baumann, disse que os países que formam o Brics fizeram um levantamento das barreiras tarifárias enfrentadas dentro do bloco e devem apresentá-lo aos ministros econômicos durante o encontro de cúpula do Brics. “Isso deveria ser o início do processo negociador: quais produtos têm vantagens comparativas, mas enfrentam barreiras nos Brics”, disse.

O conselheiro econômico do Banco Mundial também sugeriu que o Brasil melhore o ambiente para investimento externo. Segundo o economista, embora o Brasil tenha uma política liberal para Investimento Estrangeiro Direto (IED), o estabelecimento de uma subsidiária estrangeira no país ainda é bastante oneroso. O relatório também conclui que há uma assimetria no comércio bilateral. As exportações do Brasil para China têm um nível de concentração bastante alto. Por outro lado, as importações da China são bastante diversificadas e permeiam a economia brasileira como um todo.

A relação entre Brasil e Rússia também é cheia de altos e baixos. A carne é o principal motivo, pois o país europeu coloca algumas restrições ao produto brasileiro. A presidente Dilma Rousseff afirmou nessa segunda que o comércio bilateral entre Brasil e Rússia deve ser aumentado e, ao lado do presidente Vladimir Putin, colocou como meta ampliá-lo para US$ 10 bilhões. “Desde a primeira visita (ao Brasil) do presidente Putin, em 2004, nosso comércio bilateral mais que dobrou”, declarou Dilma. “Concordamos na necessidade de aumentá-lo e diversificá-lo para uma meta de US$ 10 bilhões”. Em 2013, a corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 5,650 bilhões. Dilma comemorou a assinatura de um plano de ação de cooperação econômica e comercial, que possibilitará o “aumento recíproco de investimentos diretos”. Dilma quer atrair investimento russo em energia.

China vai investir pesado Fortaleza. A China deve anunciar investimentos nos setores de transportes, energia e alimentos durante a passagem do presidente Xi Jinping ao Brasil nesta semana, por ocasião do encontro do Brics, em Fortaleza. Os investimentos em projetos de infraestrutura, que podem incluir estradas de ferro, usinas de energia elétrica e exploração de petróleo, devem beneficiar ambas nações, de acordo com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang. A China é o maior parceiro comercial do Brasil.

Alguns pontos Argentina vetada: O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nessa segunda que o grupo não estuda a entrada da Argentina como membro. Copa na Rússia: Putin gostou da Copa no Brasil e promete um grande evento no seu país em 2018 Segurança: Evento em Fortaleza tem 7.689 policiais envolvidos

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