Mais um acusado é julgado pela morte de empresários no bairro Sion

TJMG teria divulgado que seriam dois réus no júri desta segunda; expectativa do órgão é de que sejam ouvidas 11 testemunhas, antes do interrogatório do réu

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Advogado de Frederico Flores apelou ao STJ para tentar soltá-lo
editoria de fotografia
Advogado de Frederico Flores apelou ao STJ para tentar soltá-lo

Acaba de começar o julgamento do norte-americano Adrian Gabriel Grigorce, acusado de envolvimento nos assassinatos dos empresários Rayder Santos Rodrigues, 39, e Fabiano Ferreira Moura, 36, no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, em abril de 2010. Outras três pessoas, incluindo o líder do grupo, foram julgadas e condenadas pelos homicídios. Ainda três acusados devem ser julgados este ano.

Na última semana, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) havia divulgado que além de Grigorce, o policial André Luiz Bartolomeu também sentaria no banco dos réus nesta segunda. Contudo, assim que deu início a sessão, o juiz Glauco Eduardo Soares Fernandes informou que apenas o norte-americano será julgado. Bartolomeu teve o processo desmembrado e será julgado no dia 29 de janeiro de 2015.

O grupo, formado por oito pessoas envolvidas nas mortes, ficou conhecido como "bando da degola" devido ao fato de ter decapitado as vítimas. O Ministério Público será representado pelo promotor Francisco de Assis Santiago no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette.

Grigorce terá o futuro definido por cinco mulheres e dois homens. A expectativa da assessoria do TJMG é de que apenas uma testemunha seja ouvida, antes do interrogatório do réu.

Relembre o caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os acusados  Frederico Flores, Adrian Grigorcea, Arlindo Lobo, Renato Mozer, André Bartolomeu, Sidney Beijamin, Luiz Astolfo e Gabriela Costa sequestraram e extorquiram os dois empresários. Eles fizeram saques e transferências de valores das contas das vítimas antes de matá-las.

O grupo assassinou os dois e transportou os corpos no porta-malas do carro de uma das vítimas para a região de Nova Lima, onde foram deixados, parcialmente incendiados.

Consta ainda na denúncia que os empresários estavam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias em dinheiro. As atividades deles chegaram ao conhecimento de Flores, um dos acusados, que passou a manifestar o desejo de extorqui-los.

Cientes dos planos de Flores, os demais denunciados participaram e colaboraram com os crimes. Frederico Flores está preso suspeito de chefiar o bando. Um dia depois do duplo homicídio, os corpos foram localizados queimados em uma mata de Nova Lima, na região metropolitana. As cabeças e os dedos das vítimas continuam desaparecidos.

Flores foi condenado a 39 anos de reclusão por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado. Ele ainda foi condenado por extorsão, destruição e ocultação dos cadáveres e formação de quadrilha. Segundo a acusação, Flores sequestrou, extorquiu e matou os empresários com a ajuda de sete pessoas. Os crimes foram em 10 e 11 abril de 2010, no apartamento alugado por Flores, depois dos acusados fazerem movimentações nas contas das vítimas.

No dia seguinte, de acordo com a acusação, os réus se reuniram para limpar o apartamento. Além de Flores, o ex-policial Renato Mozer foi condenado a 59 anos de reclusão em regime fechado, em dezembro de 2011. O estudante de direito Arlindo Lobo também foi condenado a 44 anos de prisão, em julho de 2013. Os acusados Sidney Beijamin e Luiz Astolfo estão com júri marcado para o dia 29 de setembro deste ano, e a acusada Gabriela Costa será julgada em 30 de outubro de 2014.

Atualizada às 9h57