Corte de pastas ‘pra inglês ver’

Candidatos de oposição à Presidência defendem redução de ministérios em suas campanhas

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

Campos também afirma que irá reduzir ministérios se eleito
Rodrigo Lobo / Divulgação - 22.5.2014
Campos também afirma que irá reduzir ministérios se eleito

A quantidade de ministérios do governo federal – 39 hoje – é alvo de crítica dos candidatos de oposição, e a proposta de redução pela metade das pastas já foi incorporada aos discursos de campanha. Porém, na avaliação de especialistas, em um primeiro momento, até pode haver uma redução para cumprir a promessa feita aos eleitores, mas o decorrer da gestão vai “forçar” a criação de novas pastas para contemplar os aliados políticos.

Desde a redemocratização do país, a variação mais evidente no número de ministérios foi no governo do ex-presidente Fernando Collor. Quando assumiu o Palácio do Planalto em 1990, ele cumpriu a promessa de campanha de cortar de 30 para 17 a quantidade de ministérios. No entanto, acabou criando outras 13 secretarias ligadas ao Palácio do Planalto com status de primeiro escalão e voltou ao número inicial de 30.

De acordo com o professor da PUC Minas Breno de Almeida, a diminuição de ministérios pode fazer parte do discurso, mas a realidade é outra. “A negociação para aprovação de projetos no Congresso, por exemplo, passa pela distribuição de ministérios aos partidos aliados. Pode ser que ocorra uma troca de cadeiras, mas sempre vai haver criação de novas pastas”, destacou.

O imbróglio mais recente envolvendo as indicações políticas foi o vivido por Dilma Rousseff com o ministro dos Transportes. O PR, legenda aliada do PT, pressionou a presidente para que tirasse César Borges do comando da pasta. Apesar de filiado ao partido, o então ministro não era considerado da cota do PR. Para garantir apoio da sigla na campanha, Dilma colocou no cargo Paulo Sérgio Passos.

O consultor político Gaudêncio Torquato critica o atual excesso de ministros e aponta que o problema, na verdade, é a quantidade de partidos. “O ideal era que tivéssemos entre oito e nove partidos. Temos, em apenas uma aliança partidária, 15, 16 siglas”, analisou.

Propostas. Tanto o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE) quanto o senador Aécio Neves (PSDB) defendem a redução dos atuais 32 para aproximadamente 20 ministérios. As declarações têm sido feitas recorrentemente em entrevistas na imprensa, e a intenção também é confirmada pelas assessorias dos dois.

Campos pretende ainda cortar em 30% o número de cargos comissionados, e Aécio fala em criar apenas uma secretaria extraordinária, com prazo de duração, para simplificar o sistema tributário.

Já a coordenação de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) informou que ainda não tem como responder sobre a possibilidade de a petista cortar ministérios se reeleita. De acordo com a assessoria, a proposta relacionada aos ministérios será tratada daqui a algumas semanas em uma rodada de reuniões temáticas.

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