Ele e o piano de volta ao palco

Arnaldo Baptista reestreia show no Cine Theatro Brasil e se prepara para lançar exposição de pinturas em São Paulo

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Carreira. No início dos Mutantes, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista, Rita Lee e o padrinho Gilberto Gil
Arquivo pessoal
Carreira. No início dos Mutantes, Sérgio Dias, Arnaldo Baptista, Rita Lee e o padrinho Gilberto Gil

Acomodado em seu sítio em Juiz de Fora, na Zona da Mata, Arnaldo Baptista não acorda antes das 17h e não faz questão de se submeter a ensaios exaustivos para subir ao palco. “Minha carreira solo está toda na cabeça. Se eu ensaiar muito, é capaz de esquecer. Por isso, prefiro pintar meus quadros depois de acordar à noite, que é quando eu me ligo na vida de verdade”, brinca. Quase à capela, acompanhado apenas de um piano Scary de cauda, o ex-líder dos Mutantes aproveita os 40 anos de “Loki?” e o relançamento de toda a discografia dos Mutantes para reestrear o show “Sarau O Benedito?”, que ele apresenta no Cine Theatro Brasil Vallourec, no dia 3 de agosto.

O espetáculo foi sucesso de público a partir de 2011, quando Arnaldo Baptista retornou aos palcos com o mesmo formato de voz e piano apresentado no Teatro do Tuca, em São Paulo, em 1981 – mesmo ano em que ele sofreu a trágica queda do quarto andar de um hospital psiquiátrico que transformou sua vida. Depois, foi homenageado da 8ª Virada Cultural de 2012, também em São Paulo, e levou os fãs ao delírio cantando clássicos como “Balada do Louco” em versões intimistas. “Mas louco é quem me diz... É arrepiante até hoje ouvir o pessoal cantando isso aos berros, à capela”, pontua o artista.

Para Belo Horizonte, o formato do show se mantém praticamente o mesmo. Arnaldo Baptista continua sem consultar partituras, cifras ou qualquer outro auxílio teórico musical – que soa como inutilidade para ele. “Desde quando os Mutantes ficaram conhecidos ao tocar ‘Domingo no Parque’ como banda de apoio do Gilberto Gil, em 1967, eu não leio cifra nem partitura. Pego tudo de ouvido”, atesta.

Com um repertório de 70 canções para escolher na hora, Arnaldo Baptista interpreta as mais marcantes dos seus quatro discos, “Loki?” (1974), “Singin’ Alone” (1981), “Disco Voador” (1987) e o mais recente, “Let It Bed” (2004), produzido por John Ulhoa, guitarrista do Pato Fu. “Quando produzi o disco com o Arnaldo tentando gravar tudo meio que junto, baixo, bateria, piano, senti que ele não liga para o que outros artistas estão fazendo em termos de modernidade. Apesar de ele ter se encantado com alguns efeitos e possibilidades, ele é muito transparente e excessivamente sincero em sua música”, conta John.

Além de versões simplificadas e mais solitárias de clássicos como “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?”, “Jesus Come Back To Earth”, “Será que Eu Vou Virar Bolor?” e “Uma Pessoa Só”, a diferença do show na capital mineira são as canções do próximo disco de Arnaldo Baptista, como “I Don’t Care” e “Walking In The Sky”. Com o título de “Esphera” e produção independente, o álbum tem dez canções gravadas e prontas para chegar às lojas, mas permanece sem patrocínio. “Há pelo menos dois anos eu tento lançar e não consigo. Então, estou começando a tocá-lo por aí. As pessoas não podem ser privadas de ouvir esse som por falta de grana”, dispara o cantor.

O show inteiro ainda é ilustrado por pinturas que Arnaldo Baptista desenvolve há 30 anos, sendo que várias delas estarão na segunda exposição individual do artista, entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, na galeria Emma Thomas, em São Paulo “Vamos colocar no telão as mais recentes obras dele, que de alguma forma dialogam com suas canções mais pessoais. É um lado complementar do Arnaldo músico que muita gente não conhece”, diz a mulher dele, Maria Lúcia.

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