Exposição celebra 70 anos de Aliança Francesa em BH

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Imagem das margens do rio Sena sob o olhar de José Cavalcanti
José Octavio cavalcanti/divulgação
Imagem das margens do rio Sena sob o olhar de José Cavalcanti

O que Belo Horizonte e Paris têm em comum? É essa a questão levantada pela exposição “BH, Cidade Luz”, com obras de José Octavio Cavalcanti e Warley Desali, em cartaz a partir de hoje no Salão Cultural da Aliança Francesa. A abertura está marcada para as 19h e o evento comemora os 70 anos da instituição na capital mineira.

O artista plástico e arquiteto Cavalcanti esteve em Paris em 1976, quando passou três meses na cidade praticando o desenho de observação e buscando estabelecer um paralelo do local com sua cidade natal, Belo Horizonte. “BH tem uma relação direta com a capital francesa, desde o traçado da cidade até sua arquitetura. A tentativa do planejamento de Belo Horizonte – inspirada em Paris – era muito racional, com avenidas largas, em que se enxergava tudo à distância. O que aconteceu foi que o crescimento desordenado da cidade, com prédios altos, fez com que perdêssemos esse planejamento. Paris o manteve. Lá, a parte moderna é concentrada em torno do edifício Montparnasse. Ele também é uma referência, além das torres mais altas dos prédios antigos na parte baixa. Aqui, a nossa referência acabou se tornando a serra do Curral”, analisa Cavalcanti.

Referências. Sair da rotina é parte do processo do artista. Isso faz com que ele observe o espaço que o cerca com um olhar diferente do que enxerga na correria do dia a dia.

É assim que o artista plástico Warley Desali desenvolve seu trabalho. Sem conhecer Paris, o pintor busca referências da cidade em lugares próximos ao seu cotidiano. “Fui descobrindo que na região de Contagem existem várias referências à capital francesa: o bairro Europa, rua Paris, Vila Paris, praça Paris. Fui fazendo registros fotográficos, que desencadearam nas obras da exposição”, conta. “É através dessas caminhadas que vou conhecendo lugares, descobrindo detalhes, as passadas de luz ao decorrer do dia e, a partir disso, vou levantando questões. Experenciar um lugar é muito importante”, afirma ele.

“Desali submete a paisagem urbana da periferia de Belo Horizonte ao sol mais tropical, para extrair-lhe, principalmente, a cor essencial refletida e decomposta em seus planos geométricos básicos”, diz José Carlos Aragão, escritor e conselheiro da Aliança Francesa BH.

O ato de “se perder” também faz parte da prática de José Octavio Cavalcanti. “O que eu faço é ‘namorar’ a cidade”. Isso significa andar por ela até encontrar algo que me prenda a atenção. Paris faz um grande convite a esse passeio. A escala da cidade é muito humana. Para isso, no entanto, é preciso estar fora de sua rotina. Belo Horizonte faz esse mesmo convite. Há uma descoberta a cada esquina. A melhor forma de fazer isso é tendo tempo. O que acontece é que estamos sempre correndo. Assim nossa visão fica viciada”, diz Cavalcanti.

Agenda

O que. Exposição “BH, Cidade Luz”, de José Octavio Cavalcanti e Warley Desali

Quando. Abertura hoje, às 19h. A exposição vai até 9 de agosto.

Onde. Salão cultural da Aliança Francesa (rua Tomé de Souza, 1418, Savassi)

Quanto. Entrada franca

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