Inflação reprimida pode estourar no país após eleições

Preços administrados podem ser liberados

iG Minas Gerais |

Pode explodir. Governo deve reajustar gasolina após eleições
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Pode explodir. Governo deve reajustar gasolina após eleições

São Paulo. O fantasma de uma inflação reprimida, certamente de preços administrados que podem explodir depois das eleições, está tirando o sono de muitos brasileiros. Essa preocupação vem sendo captada nas últimas semanas por vários indicadores que mostraram a deterioração da confiança do consumidor. Cada vez mais cauteloso com os gastos e inseguro em relação à manutenção do emprego, o brasileiro colocou o pé no freio nas compras no primeiro trimestre deste ano, quando o consumo das famílias, que responde por 63% do Produto Interno Bruto (PIB) e tem sido pilar do crescimento, caiu 0,1% em relação ao último trimestre de 2013.

Para o segundo trimestre deste ano, o cenário é incerto e os indicadores antecedentes do consumo não são nada favoráveis. As vendas no varejo em abril, o último dado disponível, caíram 0,4% em relação a março, descontados os efeitos sazonais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, as vendas dos Dia das Mães decepcionaram e, em junho, os negócios do comércio foram prejudicados pelos jogos da Copa do Mundo.

O quadro do consumo também não é animador para o terceiro trimestre. Sem datas sazonais importantes, menos da metade dos consumidores (46,6%) pretende adquirir bens duráveis ou semiduráveis entre julho e setembro, segundo a Pesquisa Trimestral de Intenção de Compras do Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA).

A inflação dos preços administrados deve voltar com força após as eleições e com mais vigor em 2015 e deve superar a alta dos preços livres, o que não acontecia desde 2009. Reajustes da tarifa de ônibus, trem, metrô, energia elétrica, gasolina e do diesel, represados durante muito tempo, devem fazer com que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos administrados supere o dos preços livres, afetados pelo fraco dinamismo da economia, na avaliação dos economistas. Os preços administrados respondem por quase um quarto do IPCA.

A LCA Consultores, por exemplo, projeta alta de 6,67% dos preços administrados para 2015, ante elevação de 6,04% para os preços livres. Para este ano, a estimativa da consultoria é de uma elevação de 4,52% da inflação das tarifas e 7,13% dos preços livres. “Desde 2009 não havia essa inversão na dinâmica da inflação, com os preços administrados subindo mais que os livres”, observa o economista da LCA, Fábio Romão.

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