Celebridades deixam palcos e buscam aprovação nas urnas

Pelo menos 20 famosos vão tentar vaga nas Assembleias Estaduais e no Congresso Nacional

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Pelo menos por algum tempo, eles conquistaram o sucesso e o noticiário. Mas o estrelato nos palcos e na televisão não foi suficiente para um grupo cada vez maior de artistas que, agora, também desejam alcançar um espaço na política. Depois do sucesso do palhaço Tiririca (PR-SP) que, em 2010, foi a opção de 1,3 milhão de eleitores e se tornou o segundo deputado mais votado da história do país, um número ainda mais expressivo de celebridades e subcelebridades vai fazer campanha por uma vaga na Câmara dos Deputados e nas Assembleias de seus Estados.

As candidaturas de pessoas famosas estão espalhadas por todo o Brasil. De acordo com levantamento feito pela reportagem de O TEMPO, pelo menos 20 delas já confirmaram o desejo de serem eleitos deputados federal e estadual. Três desses casos estão em Minas Gerais.

Mas o Estado que mais pode ajudar a eleger os “artistas políticos” neste ano é São Paulo, com pelo menos dez nomes já confirmados no pleito. Com o histórico de ter eleito Tiririca – que tentará permanecer mais quatro anos como deputado –, os eleitores paulistas terão à disposição nas urnas outras várias “bizarrices” eleitorais.

É o caso do ator pornô Kid Bengala (PTB), que já iniciou a campanha produzindo cartazes em formato de pênis – ele é conhecido pelo tamanho de seu órgão genital. O petebista diz não ter propostas para apresentar, mas apela para o bom humor na hora de pedir votos: “Não leu, não escreveu, o pau comeu” é um de seus slogans. Também vão concorrer em São Paulo o cirurgião plástico e apresentador Doctor Rey (PSC) – o “Dr. Hollywood” brasileiro – e o primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço, Marcos Pontes (PSB).

Devido ao número de famosos filiados, o PRB já pode até estudar mudar seu nome para “partido das celebridades”. Sua lista de candidatos parece mais com um elenco de reality show, já que inclui o ex-BBB Kleber Bambam, os cantores sertanejos Sula Miranda e Sérgio Reis, o apresentador Álvaro Garnero e o humorista Castrinho.

O discurso de cada um deles já está na ponta da língua, apesar de as promessas serem as mesmas: ajudar os mais necessitados e “retribuir o carinho do povo”, responsável pelo Ibope de suas carreiras.

Patrimônio e campanha. Se nos discursos a semelhança é evidente, os patrimônios e as estimativas de gastos de campanha desses artistas têm grandes variações. Há quem não tenha declarado nenhum patrimônio e mesmo assim pretende gastar milhões com as eleições. É o caso do jornalista esportivo Jorge Kajuru. Filiado ao PRP de Goiás, ele pretende desembolsar R$ 4 milhões para conquistar votos.

Mas possuir bens não significa disponibilidade para gastar. O cantor de MPB Elymar Santos (PR) declarou à Justiça Eleitoral ter R$ 634 mil, mesmo assim, não quer gastar nenhum centavo neste pleito.

Existe ainda um outro grupo de artistas que se enquadram na lista dos “pobretões”. O pagodeiro Waguinho (PDT-RJ) e o cantor Aguinaldo Timóteo (PR-RJ) não têm patrimônio, nem pretendem ter despesas.

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