Rivalidade não precisa extrapolar as quatro linhas

Não há motivos para rivalidades fora do campo

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |



Carlos Miguel e Nieves gostariam de menos rivalidade entre Brasil e Argentina
douglas magno
Carlos Miguel e Nieves gostariam de menos rivalidade entre Brasil e Argentina

Em 1969, aos 20 anos, a argentina Nieves Garcia se mudou com o marido para o Brasil. Brotava ali uma relação de amor e carinho com o país vizinho. Pouco depois, o lastro foi ainda mais enraizado com o nascimento dos filhos Carlos Miguel, hoje com 43, e Gabriela Ivana, 41. Os rebentos nasceram em Buenos Aires, por opção da família, mas a identificação com o Brasil e com o Rio de Janeiro já era gigantesca.Rio de Janeiro.

Eufóricos coma a classificação da Argentina para a decisão da Copa em pleno Brasil, eles só ficam tristes por uma coisa: a velha relação cultural de rivalidade – até fora das quatro linhas – entre brasileiros e argentinos. “Fui criada por pessoas que gostam de futebol. Aprendi que, quando a gente sai, deveríamos torcer para um país sul-americano”, conta Nieves.

Em época de Copa, a torcida na família Garcia segue a ordem de, primeiro, torcer pela Argentina, e, depois, para o Brasil. Mas quando discute o assunto e essa preferência com amigos brasileiros, Miguel não entende muito bem as explicações.

“É importante ressaltar a rivalidade nas quatro linhas. Mas quando sai (do futebol), me dá um motivo para não gostar de argentino. Os brasileiros não sabem, não têm um argumento (para não gostar de argentino). Claro que tem gente boa e ruim por todo o lado. Mas qual a graça no futebol de não poder zoar o outro?”, ressalta.

A família Garcia não vai assistir à decisão de hoje in loco no Maracanã, contra a Alemanha, porque não conseguiu vencer a fila virtual de ingressos da Fifa. O grupo, no entanto, adotou uma tática para se livrar do azar. Se nas Copas passadas os compatriotas argentinos se reuniam em um hotel do Rio, desta vez, a ordem é cada um assistir sozinho em casa. Por enquanto, tem dado certo e a tática será mantida hoje à tarde.

NÚMERO. Segundo dados da Polícia Federal, cerca de 38 mil argentinos vivem no Brasil atualmente. Morando há tanto tempo no Brasil, Nieves, que fez curso de turismo no país e já trabalhou em pontos turísticos da capital fluminense, virou uma expert em futebol, e assiste sempre a todos os programas de esporte da TV.

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