Troller T4 continua bruto

Sob o comando da Ford, jipe produzido no Nordeste chega à segunda geração, mas sem perder a capacidade off-road

iG Minas Gerais | Eduardo Rocha* |

Novo motor 3.2 rende 32 cv e 9 kgfm a mais que o 3.0 anterior
Eduardo Rocha/CZN
Novo motor 3.2 rende 32 cv e 9 kgfm a mais que o 3.0 anterior

A Ford decidiu reinventar o jipe da Troller. Pouco sobrou do modelo anterior, pois 1.700 das 2.000 peças do utilitário são novas. A marca, porém, buscou criar referências visuais entre os T4 da nova e da antiga geração. Na dianteira, a conexão é feita pelos faróis principais redondos e a grade com grandes aberturas, na cor cinza, que se une à parte central do para-choque para formar um enorme “T”. Atrás, as lanternas quadrangulares buscam conservar o estilo anterior. Os para-lamas também se mantiveram bastante proeminentes. Uma novidade interessante é que os para-choques ganharam módulos nas extremidades que podem ser retirados para encarar trilhas mais pesadas.

Mecanicamente, o novo T4 importa diversos elementos da picape Ranger. A começar pelo motor, que é o mesmo 3.2 litros turbodiesel de cinco cilindros e 20 válvulas, que rende 200 cv de potência e 48 kgfm de torque. O propulsor é gerenciado por uma transmissão de seis marchas. A tração 4x4 tem reduzida e é distribuída por dois diferenciais, sendo o traseiro com escorregamento limitado.

A aplicação de um trem de força tão poderoso em um veículo com pouco mais de 2.100 kg evidencia a preocupação da Ford em preservar as reconhecidas capacidades off-road do T4. O novo chassi em longarina, desenvolvido especialmente para o modelo, ficou mais robusto. O jipe manteve a configuração com duas portas, quatro lugares – na verdade, um 2+2 – e tampa traseira pivotada, mas o ângulo de saída passou de 36º para 50º e o entre-eixos passou de 2,41 m para 2,59 m. Perdeu 5º para inclinação lateral – agora é 40º –, mas foi de 75 cm para 80 cm a profundidade para travessia.

A construção da carroceria também foi aprimorada. Ela ainda é feita com uma massa, chamada de compósito, formada por fibra de vidro com aço, mas agora é moldada a quente em prensa, e não mais manualmente. Isso aumenta a produtividade e dá melhor padrão de acabamento. Agora, consoles, painéis, instrumentos e todos os detalhes internos se harmonizam com a mesma lógica do design externo.

Rústico. O T4 não é um jipinho de fino trato. Para começar, acessar os assentos da frente já exige esforço, enquanto os de trás quase requerem contorcionismo. A suspensão aguenta o tranco, mas não filtra absolutamente nada. A Ford até aumentou a espessura da espuma dos bancos, mas não foi de grande ajuda. Achar uma posição confortável de dirigir é complicado, pois o volante só tem regulagem de altura, e os ajustes dos bancos são esparsos. É o motorista que se adapta ao carro, e não o contrário.

A carroceria que torce bastante e a suspensão de curso longo facilitam contato com o solo, mesmo em desníveis acentuados. As marchas são duras e imprecisas. Os pneus 255/65 R 17 ultrapassam costelas, lombadas e erosões sem dificuldade, mas o comportamento dinâmico não inspira a menor confiança e parece que o jipe vai tombar na primeira curva. Enfim, a Ford fez tudo para agradar aos consumidores do T4, que costumam considerar refinamento um sinal de fraqueza.

Se o T4 anterior tinha roda livre manual, daquelas que obrigavam o motorista a descer e travar o eixo dianteiro para utilizar a tração 4x4, agora, o acoplamento é elétrico, mas o sistema ainda é totalmente mecânico. Nada de ABS “pinçando” a roda que gira em falso, e nada de bloqueio manual de diferencial.

Sem airbags. Jipe traz confortos a bordo, como ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, som com bluetooth etc. Mas é o que se considera, hoje em dia, como o mínimo indispensável. Nem mesmo airbags o T4 tem, valendo-se de uma norma específica para veículos off-road. O teto rígido, que podia ser desaparafusado e guardado, saiu de cena em prol de um duplo teto solar.

*Auto Press

Lançamento

O novo Troller T4 chegará ao mercado a partir de agosto. Os preços ainda não foram revelados, mas ficarão aproximadamente 15% mais altos que os da antiga geração. Assim, o jipe deverá custar algo em torno de R$ 110 mil.

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