Sempre alerta para otrabalho

Apesar dos anos, ator ressalta sua vontade em viver novos personagens e mergulhar em projetos distintos

iG Minas Gerais |

Presente. Tony conta que gosta de seus personagens, mas prefere não viver de passado e exalta os próximos papéis
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Presente. Tony conta que gosta de seus personagens, mas prefere não viver de passado e exalta os próximos papéis

A forma simples e pragmática com que Tony Ramos enxerga a carreira de ator impressiona. Com 50 anos de trajetória nas costas, Tony, aos 65, continua sendo um dos intérpretes mais celebrados e disputados pelos núcleos da Globo. Tanto é que, sempre quando acaba uma novela, já tem convite para vários projetos. Para ele, parte importante dessa relação frutífera que mantém com a emissora vem de sua simplicidade em lidar com o trabalho. “Nunca entrei nessa de ser celebridade ou galã. Nem quando era novo e poderia fazer isso. Meu negócio é atuar, gosto do momento em que o diretor grita: ‘gravando’. Sempre me senti um operário dentro de um trabalho coletivo”, assume Tony, que volta às novelas em “O Rebu”, remake da trama original de Bráulio Pedroso, de 1974. “Não quis buscar referências na primeira versão. Parti do zero e a surpresa com o tom ousado da trama foi forte. A telenovela sempre precisa de novas possibilidades”, elogia o ator, sobre o folhetim que se desenrola durante 24 horas e será apresentado em 36 capítulos.

Mesmo depois de tantos personagens célebres, Tony exibe empolgação com o novo projeto, onde dá vida ao empreiteiro Carlos, protagonista da produção ao lado de sua principal rival, a milionária Angela, de Patrícia Pillar. “Gosto de quase todos os meus personagens. Mas tento não viver de passado. O atual é sempre o mais importante. Acho que é por isso que ainda me surpreendo dentro do estúdio”, ressalta.   Você é um dos atores mais disputados dentro da Globo. O que chamou sua atenção e fez com que integrasse o elenco de “O Rebu”? Me encantei pelo projeto desde o início. Ainda não tinha me envolvido em nada feito para esse horário das 23h e achei a proposta extremamente arrojada. Dentro de uma trama policialesca tem fatores ricos e cheios de possibilidade. “O Rebu” não é sobre quem matou ou morreu, é sobre como os humanos lidam com o poder e a possibilidade de perdê-lo.   É o projeto ideal para celebrar seus 50 anos de carreira? Ao conhecer melhor o personagem, tive a certeza que sim. Acho que ele vai na contramão da imagem de herói que eu construí com os mocinhos que vivi. Não o encaro como um vilão, mas como um sujeito possível, pragmático e capaz de qualquer coisa para manter sua posição. O público se acostumou mal com essa coisa de dividir a trama entre o herói bonzinho e o vilão clássico, acho que personagens são mais que isso. O Carlos comete atitudes injustificáveis e antiéticas. E tenta defender isso. Sobre os 50 anos, acho que as comemorações começaram com o convite do (diretor) João Jardim para interpretar Getúlio Vargas no cinema.   O que o filme agrega à sua carreira? Versatilidade e risco. Depois de tantos personagens bacanas que me deram, ainda ser chamado para trabalhos complexos é uma vitória. Interpretar um cara que ainda está no imaginário coletivo do país é extremamente revigorante. É um dos filmes que eu mais gostei de fazer. Para uma produção política, passar de 600 mil pagantes no Brasil é uma tremenda vitória. E a repercussão também foi muito legal. Tanto que, assim que terminar de gravar “O Rebu”, eu descanso uma semana e embarco para a Europa, onde o longa participará de alguns festivais.    Você já sabe de cor como funcionam as engrenagens das novelas e suas gravações. Como manter o tesão pela profissão depois de tantos anos? Não existe uma receita. A verdade é que, por mais que tente, o ator não molda sua carreira por completo. Ele é um refém das possibilidades. Fiz novelas maravilhosas e outras nem tanto. Meus personagens nem sempre foram um sucesso de público e crítica, mas sempre tive a certeza de estar dando o meu melhor. Acho que acreditar no projeto e na equipe, sem se importar com fatores externos, é uma boa maneira de manter meu foco sempre no trabalho atual e atento aos próximos convites. 

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