Lucrativa idade na televisão

Na tentativa de fisgar o público jovem, novelas investem em interatividade e histórias mais rasas

iG Minas Gerais | geraldo bessa tv press |

Afonso Carlos/Czn
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A juventude é sempre rentável. Basta zapear um pouco a TV para entender o apelo comercial que rostos bonitos, corpos moldados, espírito aventureiro e a leve inconsequência tão típica dos jovens exercem sobre a publicidade e a programação das emissoras. Na teledramaturgia, novelistas e diretores quebram a cabeça para entender, retratar e chamar a atenção desse tipo de público, situado entre os 15 e os 24 anos e já tão analisado por sua dispersão em relação ao veículo. “Hoje, o jovem não se limita em assistir ao que gosta apenas pela TV. Ele quer usar smartphones, notebooks e tablets para acompanhar a trama. E, mesmo quando liga a TV, quer comentar e repercutir o que está vendo pelas redes sociais. Fazer produtos que dialoguem com todas essas plataformas é a saída”, destaca Filipe Miguez, que assina “Geração Brasil” ao lado de Izabel de Oliveira.

Junto com outros títulos recentes como “Além do Horizonte”, “Sangue Bom” e “Cheias de Charme”, o horário das sete se tornou uma verdadeira carta de intenções da Globo na busca por essa parcela da audiência, sempre abusando de interatividade, linguagem rasa, formato pretensiosamente contemporâneo e protagonistas jovens. Além de abordar cotidiano e dilemas geracionais e a questão das novas tecnologias na espinha dorsal de suas tramas. No entanto, só mesmo “Cheias de Charme” conseguiu o efeito esperado: repercussão de público e audiência geral acima dos 30 pontos. “Entregamos uma boa história, com formato diferente e muita interatividade entre a tela da TV a do pc. Mas não é só isso. Em ‘Cheias de Charme’, vários núcleos funcionaram bem e puderam agradar a todas as faixas de público. Embora foque em uma ou outra faixa etária, é o todo que a gente sempre quer conquistar”, constata a diretora Denise Saraceni.

O discurso de Denise converge com a principal contradição de público-alvo que reside em novelas cada vez mais calçadas nas vivências juvenis. Segundo dados do último senso do IBGE, de 2010, apenas 17,4% da população brasileira está entre os 15 e 24 anos. No entanto, são os idosos que formam o contingente populacional que mais cresce no país. Segundo o instituto, na mesma data, pessoas a partir de 60 anos representam 19,1% da população e o número só tende a crescer até 2060. No entanto, o que se vê é o esquecimento de personagens acima dos 60 anos para os papéis centrais das tramas. “As novelas se abriram para além da dona de casa. Mas todo novelista sabe que é ela e o seu hábito de ver novela de forma tradicional que sustentam a audiência. No entanto, a beleza e a juventude são ingredientes facilmente assimiláveis e com mais possibilidades de ação”, defende Cristianne Fridman, autora de “Vitória”, novela da Record, que conta com Thaís Melchior, que aparenta menos do que seus reais 24 anos, como protagonista.

Hoje com sérios problemas de audiência, o setor de teledramaturgia da Record chegou a bater os dois dígitos no Ibope com tramas carregadas de apelo jovem, como a saga mutante de “Caminhos do Coração” e a versão nacional de “Rebelde”. No meio do caminho, o departamento da emissora perdeu a mão na concepção de suas tramas e hoje corre atrás do prejuízo focando em um público mais abrangente. “Temos projetos mais segmentados, mas o perfil e as preferências desse tipo de público mudam a todo momento, seguem tendências. Conseguimos acompanhar algumas e fomos muito bem-sucedidos. Mas, por enquanto, nosso foco é mesmo a família”, ressalta Anderson Souza, diretor de teledramaturgia da emissora.

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