Torcida no Mané Garrincha vai do apoio à decepção com o quarto lugar

Brasileiros fizeram seu papel nas arquibancadas, ao contrário do time de Felipão que ficou longe do ideal mais uma vez

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI E GUILHERME GUIMARÃES |

Torcedor brasileiro saiu frustrado do Mané Garrincha com a quarta posição no Mundial
CÉLIO MESSIAS - VIPCOMM
Torcedor brasileiro saiu frustrado do Mané Garrincha com a quarta posição no Mundial

BRASÍLIA (DF). Apesar do tom inevitável de melancolia para o jogo entre Brasil e Holanda, a torcida compareceu em bom número e tentou mostrar seu apoio ao time de Felipão, talvez no momento mais difícil de sua história.

As arquibancadas do estádio Mané Garrincha, em Brasília, estiveram cheias e foi difícil identificar algum torcedor da Holanda. Eles até marcaram presença, mas vê-los tornou-se tarefa complicada, já que o número de holandeses era muito inferior ao de anfitriões.

O clima poderia muito bem ser outro, não pelo fato do Brasil estar disputando o terceiro lugar ao invés da final, mas pela forma como o time de Felipão se apresentou no jogo da semifinal, contra a Alemanha, quando foi goleado por 7 a 1, na derrota mais humilhante do currículo do Brasil.

Enquanto alguns demonstravam sua raiva contra o resultado, outros tentavam esquecer o que passou e levaram faixas de incentivo, agradecendo o Brasil pelo que fez durante a Copa. Por mais que o resultado final não tenha sido o esperado, o patriotismo apareceu para alguns valentes, que fizeram questão de mostrar que estarão ao lado da seleção em qualquer momento. Para muitos outros, a ferida anda vai demorar para cicatrizar.

Os aplausos durante a escalação mostrada no telão apareceu para todos os jogadores que começaram o jogo, sem exceção. Quem também despertou muitos gritos e aplausos foi Neymar que compôs o banco de reservas, mesmo sem condições de jogo.

As vaias ficaram para o técnico Felipão e para o atacante Fred, que ainda não foram perdoados pelo desempenho apresentado neste Mundial. A reverência pelo holandês Robben também ficou clara quando o nome do jogador foi mostrado no telão.

O momento do hino nacional, seguido pelos gritos de ‘Brasil, Brasil, Brasil’ e de ‘pentacampeão’ mostrou que a maior parte dos torcedores estava ali para apoiar o time, fazendo valer a função de um torcedor fiel e incondicional. Restava aos jogadores retribuírem a atenção em campo e fazer todos esqueceram o passado recente, se é que isso é possível.

Com a bola rolando

Apesar de todo apoio mostrado antes do jogo, o início do embate reservou gol holandês logo aos 3min. A torcida não desanimou e voltou a entoar os gritos de ‘Brasil’, tentando animar um time que mostrava resquícios do jogo anterior, principalmente na parte psicológica.

A responsabilidade da torcida parecia ser ainda maior diante de um time que já perdia por 2 a 0 com menos de 20 minutos de jogo. Apesar de todas as tentativas, o time de Felipão deixou claro que muitas mudanças devem acontecer dentro de campo para que o caminho do sucesso volte a ser trilhado.

Do lado de fora do campo, os torcedores se mostravam dispostos a desempenhar sua função. Mas, para tudo, tem limite. Antes dos 30min, as primeiras vaias já eram ensaiadas, em virtude de um jogo de pouca produtividade da seleção.

Mesmo com os protestos sumindo em seguida, a paciência foi sendo minada ao longo do jogo.

Sem ânimo com o que o Brasil mostrava, bastou aos torcedores do time da casa cantar música de provocação aos argentinos para buscar algum alento. Pedidos de raça também apareceram, como que buscando por uma última tentativa, sem sucesso. O árbitro argelino, com atuação ruim, também não foi poupado.

Ao final do jogo, antes mesmo do terceiro gol holandês, alguns aplausos vieram, tentando reconhecer o esforço verde-amarelo, que surtiu pouco efeito. Vaias voltaram a aparecer e muitos tentaram neutralizá-la com novos gritos de 'Brasil'.  Apesar disso. nada conseguiu esconder a decepção da torcida com um time que deixou milhares de brasileiros frustrados ao saber que tudo foi dado nas arquibancadas, ao contrário do que foi mostrado em campo.