As cores da mesmice

iG Minas Gerais |

Após o vexame da seleção brasileira, na última terça-feira, as atenções agora se voltam para a campanha eleitoral. E neste início de disputa, em Minas, quando tudo ainda está meio em marcha lenta, é impossível não notar a falta de criatividade de marqueteiros e candidatos, que só faz pasteurizar ainda mais as duas principais candidaturas no Estado. A equipe de Pimenta da Veiga, em sua primeira peça de propaganda (um adesivo de para-choque) esqueceu ou não fez questão de colocar o número que o eleitor tem que digitar na urna. Falha ou estratégia? Talvez nem mesmo o candidato saiba responder. Mas o que mais estranhou na campanha tucana apresentada nesses primeiros dias foi o predomínio da cor vermelha na logomarca. Não é que o PT seja dono do vermelho, mas a cor está intimamente ligada ao partido que cresceu, consolidou, fez história e eternizou a estrela rubra como sua principal identidade. O tradicional azul-escuro e o amarelo forte do PSDB deram lugar para o vermelho, quase uma cópia da campanha de Marcio Lacerda para prefeito de Belo Horizonte. O coraçãozinho vermelho dentro do quatro de Pimenta é quase o mesmo que formava o número do então “prefeiturável” na campanha de 2012, faltando apenas a pombinha branca no lugar da avezinha de pelagem preta e bico laranja. Outro sinal de extrema padronização também acompanha a campanha de Fernando Pimentel. O petista trocou a cor das veias pelo azul e o amarelo, que antes marcavam de forma contundente as campanhas tucanas. O marketing petista só faz lembrar o PT com uma estrelinha tímida, mais parecida com um asterisco, como se fosse um indicador de notas de rodapé. Os nomes e as propostas dos dois, que já não se diferenciavam tanto assim, misturam-se agora a um visual que também não possibilita identificar quem é quem. O PT, de azul e amarelo, e o PSDB, com o vermelho em todo canto, reforçam o que boa parte da população vem percebendo: comodamente, as diferenças entre eles já não são tão gritantes assim. Pimenta e Pimentel, em suas apresentações iniciais, apenas demonstram que desejam ser aquilo que o outro é. Fingem que se negam, mas, no fundo, se confirmam. Os discursos não condizem com a prática. Diante disso tudo, a estrela vermelha e o tucano passaram a ser símbolos de um passado remoto, quando a ideologia ainda tinha algum espaço. Símbolos foram feitos para ser ultrapassados e cair em desuso. Ideologia também muda e se renova. O que se disse ontem pode mesmo não servir para os dias de hoje. Porém, o que estamos vendo com essa homogeneização das campanhas é simplesmente o empobrecimento das ideias e a incapacidade de se propor algo capaz de fazer a diferença.

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