Show de horrores sem fim

iG Minas Gerais |

Antes de começar a discorrer sobre os personagens desta coluna, gostaria de deixar bem claro que nada tenho pessoalmente contra eles, que presumo serem bons pais de família, senhores respeitáveis do ponto de vista humano. Feito esse importante registro, não sei o que é pior, o 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil – o maior vexame da história do futebol (não só da seleção brasileira) – ou a cara de pau, a desfaçatez, a falta de humildade, a soberba e a total ausência de respeito do senhores Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira para com o combalido povo brasileiro, já tão sofrido fora do futebol. É inacreditável que, após o que correu, os dois maiores responsáveis pelo “sepultamento” da seleção brasileira venham a público e digam que o trabalho foi bem feito e que o massacre do Mineirão foi apenas uma derrota entre todos os jogos oficiais da dupla no comando do time nesta passagem pela CBF. Felipão chegou a dizer que até a torcida teve um apagão. Coitada da torcida! Será que eles realmente acreditam nisso? Se acreditam, acho que é pior. Depois do que vimos, não só no jogo contra a Alemanha, mas em todos os confrontos do Brasil no Mundial, o que explica Hulk estar na seleção, ainda mais como titular em todos as partidas, e não sair do time? O que explica a comissão técnica, além de não saber, demorar quatro jogos para ver que Maicon, mesmo em fim de carreira, é melhor que Daniel Alves? O que explica colocar o omisso Oscar como ponta marcador de lateral quando era a nossa única, embora quase inócua, chance de criação no meio-campo? O que explica Felipão, que ganha um bom salário para se dedicar exclusivamente à seleção, dizer que não esperava adversários tão fortes? Será que ele não pode pagar TV a cabo? Talvez, como já escrevi, ele estivesse muito ocupado gravando comerciais para poder assistir aos campeonatos pelo mundo e às seleções que viriam à Copa, o mínimo que se espera de um profissional atento, dedicado e comprometido com o trabalho, e que tem um emprego que pode ser comparado, no Brasil, a um cargo político dos mais importantes. Agora, o que mais preocupa é a possibilidade de esses senhores continuarem no comando da seleção um só segundo após o jogo de hoje. Por isso, vou torcer para uma goleada da Holanda. Assim, a CBF, um capítulo à parte nessa nefasta história, não terá como manter essa dupla, que deveria ter tido a hombridade e o bom senso de se demitir logo após o jogo contra a Alemanha. Para terminar, nem o inferno aceitaria o futebol proposto por Scolari e Parreira.

Olhos vendados O presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, estuda manter Felipão até o fim do ano. A mesma extrema limitação cognitiva que Scolari demonstrou em seu péssimo trabalho na Copa não lhe permite ver que sua eventual e trágica manutenção não é um voto de confiança da CBF, ou mesmo uma tentativa de não jogá-lo às feras. É justamente o contrário! O que a CBF deseja é manter Felipão apanhando, como um escudo da entidade, até que o luto se dissipe e alguém aceite pegar essa bucha.

Só três Só três jogadores dos que atuaram se salvaram: Neymar, é claro, David Luiz e Thiago Silva. O resto foi mal, uns mais, outros menos. No caso de Oscar, se Felipão o escalou no lugar errado, cabia a ele dizer ao técnico que podia render mais em outro lugar. Provavelmente o teimoso, prepotente e dono da verdade Scolari não mudaria o posicionamento, mas que o atleta o fizesse em campo. Porém, é pedir muito a um jogador que, além de ter cara de medroso, tem um futebol medroso, apático e sem ambição.

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