Repetição de erros e lições para voltar a ganhar

A falta de privacidade foi outro erro na primeira Copa no Brasil. Jogadores eram acordados por políticos, tinham que tirar fotos com torcedores e não conseguiam fazer as refeições

iG Minas Gerais | Victor Martins |

Fracasso. Jogadores deixaram o gramado do Mineirão incrédulos após queda vergonhosa
LEO FONTES / O TEMPO
Fracasso. Jogadores deixaram o gramado do Mineirão incrédulos após queda vergonhosa

“Creio que esse jogo também fez com que a seleção brasileira despertasse, mudasse e tomasse o rumo da vitória. Não à toa, vocês foram campeões cinco vezes depois de 1950”, disse Ghiggia, o carrasco brasileiro no Maracanazo e, talvez, o grande responsável por tornar o futebol brasileiro uma das maiores marcas do planeta.

Depois daquele tropeço, o Brasil cresceu. A dor da derrota trouxe sabedoria, e a seleção se tornou a mais vitoriosa da história. Mas, na segunda chance de conquistar um Mundial em casa, uma nova falha. Desta vez, um fracasso retumbante, a maior derrota de um anfitrião de Copa. E o pior, com a repetição de erros de 1950.

O clima de “já ganhou” era tão grande há 64 anos que o Brasil era dado como campeão do mundo por jornais e por políticos. O então prefeito do Rio de Janeiro, Mendes de Morais, horas antes da decisão, fez um discurso nessa linha. Algo bem parecido com tudo o que falaram Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira em 2014.

A falta de privacidade foi outro erro na primeira Copa no Brasil. Jogadores eram acordados por políticos, tinham que tirar fotos com torcedores e não conseguiam fazer as refeições, tamanha era a presença de estranhos na concentração. Em 2014, Felipão não teve treino fechado, enquanto os jogadores tinham que atender patrocinadores da CBF.

Mudanças são sempre bem-vindas. Para a Copa seguinte à de 1950, até o visual teve alteração. O Brasil largou o uniforme todo branco para consagrar a amarelinha. Enfim, mudar, como foi lá atrás, é o primeiro passo para ter sucesso nas próximas Copas. O Brasil já sabe o caminho para o sucesso.

Trabalho da mente após Maracanazo A instabilidade emocional dos jogadores brasileiros foi um dos assuntos favoritos durante a Copa do Mundo. Não é de hoje que a seleção tem um cuidado especial com a mente dos atletas. A presença de um psicólogo na delegação que foi até a Suécia, em 1958, para conquistar o primeiro Mundial do Brasil é ponto positivo. Depois do Maracanazo e do fiasco em 1954, quando a seleção brasileira perdeu para Hungria na bola e partiu para a porrada, ainda com o jogo em andamento, ficou constatado que era preciso fazer um trabalho psicológico. Assim, João Carvalhaes passou a integrar a comissão técnica a pedido de Vicente Feola, que oito anos antes era auxiliar técnico de Flávio Costa. Outra figura importante foi Mário Trigo, um psicólogo sem diploma. Seu grande mérito na Suécia foi contar piadas e ajudar no bom ambiente que existia dentro da seleção.

Trauma de 50 fez a seleção parar 2 anos O baque pela derrota para o Uruguai na final de 1950 foi tão grande que a seleção brasileira ficou quase dois anos sem se reunir. Depois daquela triste tarde de 16 de julho, o Brasil só voltou a jogar em 1952, mais precisamente no dia 6 de abril, no Estádio Nacional do Chile. A seleção venceu o México por 2 a 0, com dois gols de Baltazar, pelo Campeonato Pan-Americano. Até por conta do longo tempo sem jogos, a escalação foi bem diferente da usada por Flávio Costa diante dos uruguaios. Já com Zezé Moreira no comando técnico, apenas dois jogadores que enfrentaram o Uruguai estavam novamente em campo. Bauer e Ademir de Menezes foram os único “sobreviventes” do histórico Maracanazo. Situação bem diferente da atual, uma vez que a Copa do Mundo nem acabou e o Brasil já possui amistosos marcados para o segundo semestre. Já estão programados jogos contra Argentina e Turquia, além de um novo encontro com a Colômbia, esse com data e local, no dia 5 de setembro, em Miami, nos Estados Unidos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave