E lá se vão 13 anos de retranca

Os comandantes que passaram pela seleção desde a década passada pecaram pela falta de ousadia, pelos erros nas convocações e pela fama de retranqueiros

iG Minas Gerais | Felipe Ribeiro e Thiago Prata |

ALEXANDRE LOUREIRO / VIPCOMM
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Onde foram parar a genialidade, a ousadia, a alegria? Quando foi que a habilidade, os dribles e os golaços deram lugar ao medo de vencer? Se, antes, a seleção brasileira era referência em todo o mundo e influenciou várias gerações, por conta da diversidade e plasticidade de jogadas e da eficiência de atletas e treinadores, hoje, é taxada por vezes de retranqueira e de ter um comando inoperante.

Esta Copa do Mundo mostrou que camisa, torcida e fator casa não são capazes de ganhar todos os jogos, e colocou em xeque a inteligência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na escolha dos treinadores. Choveram críticas de torcedores e jornalistas a Luiz Felipe Scolari por causa da forma como a seleção foi eliminada no torneio. Mas, se depender da CBF, a humilhação sofrida diante da Alemanha com o incrível e histórico placar de 7 a 1 não será capaz de tirar Felipão do comando da equipe canarinho.

O presidente eleito da entidade, Marco Polo del Nero, assumirá o cargo em 2015 e quer manter Scolari como o treinador do time tupiniquim. “Por mim, ele (Felipão) fica. O que aconteceu foi um erro tático. Esse foi o problema. Mas todos nós erramos. Isso acontece com qualquer um. O importante é que o trabalho realizado por ele foi benfeito. A campanha e a preparação foram boas. A base existe”, destacou Del Nero, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

A intenção dele surpreendeu boa parte do país, assim como as últimas escolhas da CBF. Os comandantes que passaram pela seleção desde a década passada pecaram pela falta de ousadia, pelos erros nas convocações e pela fama de retranqueiros. Foram os casos de Carlos Alberto Parreira, Dunga, Mano Menezes e o próprio Felipão em duas ocasiões.

O último comandante a implantar na seleção brasileira um futebol vistoso e com vocação ofensiva foi Vanderlei Luxemburgo. O problema é que nem dá para existir um clamor pelo retorno de Luxa, já que seus últimos trabalhos foram fracos, com o mesmo pensamento retrógrado dos outros e sem nenhum sinal de que está disposto a passar por uma reciclagem, dar a volta por cima e voltar a ser o melhor treinador do país tupiniquim.

Após o fracasso no Mundial deste ano, torcedores anseiam por um treinador renomado e de ideias compatíveis com o futebol-arte de outrora da equipe canarinho. Alguém capaz de montar uma equipe que seja eficiente para atacar e defender, assim como o alemão Joachim Löw e o espanhol Pep Guardiola vêm fazendo com os elencos que dirigem no momento.

Felipão (2013/14) Perdido no comando. Parecia estar cego, pois não viu que Fred não tinha condições de ser titular, assim como outros atletas do atual elenco da seleção brasileira. Não conseguiu sequer armar um sistema defensivo sólido, já que a equipe foi vazada muito mais que o normal. A incompetência e a falta de ousadia para mudar o esquema culminaram na catástrofe no Mineirão, com a Alemanha dando uma aula de futebol e construindo com facilidade o placar de 7 a 1.

Felipão (2001/02) O começo da retranca. Quando assumiu pela primeira vez, em 2001, Felipão tinha a missão de buscar os resultados que o antecessor, Leão – que teve apenas dez jogos para dar um padrão ofensivo ou defensivo ao time –, não conseguiu. Foi campeão do mundo em 2002, sendo que tinha um time com três zagueiros e dois volantes, mas com uma linha de frente capaz de decidir.

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