Emprego no setor industrial tem pior mês desde 2009

Recuo ocorreu em quase todos os Estados e setores

iG Minas Gerais |

Em queda. Vários setores, como o calçadista, estão reduzindo seus quadros de funcionários
CARLOS RHIENCK / O TEMPO
Em queda. Vários setores, como o calçadista, estão reduzindo seus quadros de funcionários

Rio de Janeiro. O emprego na indústria brasileira recuou 0,7% em maio, frente a abril, segundo dados divulgados pelo IBGE nessa sexta. Em abril, o indicador havia registrado queda mensal de 0,4%. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 2,6%, a 32º consecutiva neste tipo de comparação e a maior desde novembro de 2009, quando a contração foi de 3,7%.  

Segundo o IBGE, o maior impacto para o resultado negativo, na comparação anual, foi registrado em São Paulo, maior parque industrial do país, onde a queda foi de 3,7%. Das 14 regiões pesquisadas, 13 tiveram números negativos. Apenas Pernambuco, com leve alta de 0,3% frente a maio de 2013, teve resultado positivo.

A queda foi influenciada por uma piora no nível de emprego em 15 dos 18 ramos pesquisados pelo IBGE. Os destaques negativos foram produtos de metal (-7,4%), calçados e couro (-7,9%) e meios de transporte (-4,3%). As exceções vieram dos segmentos de minerais não-metálicos (1,9%) e de produtos químicos (1,6%).

Os dados refletem o mau momento pelo qual o setor passa. Dados divulgados na semana passada mostraram que a produção industrial recuou 0,6% em abril, a terceira queda consecutiva de desempenho. Segundo o IBGE, sete das 14 regiões pesquisadas apresentaram resultados negativos.

O cenário negativo tem influenciado as projeções de analistas. Desde meados de junho, economistas ouvidos para o boletim Focus, do Banco Central, já esperam contração da indústria em 2014. No relatório mais recente, a mediana das previsões indicava queda de 0,67% no fim do ano.

O número de horas pagas aos trabalhadores também recuou em maio, tanto na comparação com abril quanto em relação a maio do ano anterior, o que significa que a indústria está reduzindo a jornada de trabalho de quem permanece empregado. O movimento pode se reverter em novos cortes de pessoal nos próximos meses, caso a situação da produção não melhore.

“A queda nas horas pagas pode sinalizar novos cortes sim. O cenário não está bom para a indústria este ano”, reconheceu Abritta. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sentencia que o desempenho do emprego na indústria está piorando. O número de vagas já tinha recuado 1,4% em 2012, para depois diminuir 1,1% em 2013. No acumulado de janeiro a maio deste ano, a retração ficou mais intensa, chegou a 2,2%.

Ano ruim

Queda do emprego por Estado no ano:

São Paulo (-3,3%)

Rio Grande do Sul (-4,0%)

Paraná (-3,2%)

Minas Gerais (-1,7%)

Região Nordeste (-0,8%)

Rio de Janeiro (-1,5%)

Por setor no ano:

Refino de petróleo e produção de álcool (-8,2%)

Calçados e couro (-7,7%)

Produtos de metal (-6,7%)

Máquinas e aparelhos eletroeletrônicos (-6,3%)

Produtos têxteis (-4,9%)

Máquinas e equipamentos (-4,9%)

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