Microsoft aposta que computação quântica será o próximo passo

Se vingar, essa ideia acaba com os limites do poder computacional

iG Minas Gerais | John Markoff |

Impulso. O matemático Michael Freedman e os físicos Sankar Das Sarma e Chetan Nayak têm apoio da Microsoft
Emily Berl/The New York Times
Impulso. O matemático Michael Freedman e os físicos Sankar Das Sarma e Chetan Nayak têm apoio da Microsoft

SANTA BARBARA, EUA. Os computadores modernos não são diferentes dos teares da revolução industrial: eles obedecem a instruções programadas para tecer padrões intricados. Com um tear, vê-se o resultado no tecido ou tapete. Com um computador, vê-se no monitor. Agora um grupo de físicos e cientistas da computação financiados pela Microsoft está tentando levar a analogia dos fios entrelaçados ao que alguns acreditam que será o próximo grande salto em computação, a chamada computação quântica.

Se estiverem certos, a pesquisa poderia levar à criação de computadores muito mais poderosos do que os supercomputadores de hoje. Assim, poderiam resolver problemas em campos tão diversos quanto química, ciência dos materiais, inteligência artificial e decodificação. Eles se reuniram recentemente para explorar uma abordagem à computação quântica. Ela é baseada em “trançar” partículas exóticas conhecidas como anyons – que os físicos descrevem como “quasipartículas” que existiriam em apenas duas dimensões e não três, não devendo ser confundidos com o ânion (íon de carga negativa) – para formar os blocos fundamentais de um supercomputador que explora as estranhas propriedades físicas das partículas subatômicas. O computador proposto pela Microsoft é desconcertante até mesmo pelos padrões do mundo em grande medida hipotético da computação quântica. A computação convencional é baseada num bit que pode ser 1 ou 0, representando um único valor numa computação. Já a computação quântica é baseada em qubits, que representam a um só tempo os valores de 0 e 1. Se eles forem colocados num estado “emaranhado” – fisicamente separados, mas agindo como se estivessem conectados – com muitos outros qubits, eles podem representar um grande número de valores simultaneamente. E as limitações do poder computacional podem ser descartadas. Física e matemática. Na abordagem que a Microsoft persegue, descrita como “computação quântica topológica”, o controle preciso dos movimentos de pares de partículas subatômicas enquanto serpenteiam entre si manipularia bits quânticos emaranhados. Embora o processo de entrelaçar partículas ocorra em escalas subatômicas, ele lembra os movimentos de um tecelão sobrepondo fios para criar um padrão. Ao entrelaçar uma partícula em volta da outra, os computadores quânticos topológicos gerariam fios imaginários cujos nós e guinadas criariam um sistema computacional poderoso. O mais importante é que a matemática de seus movimentos iria corrigir os erros que até agora demonstraram ser o desafio mais intimidante enfrentado pelos projetistas do computador quântico.

Saiba mais Quando começou A computação quântica foi proposta pelo físico Richard Feynman em 1982 Quem pesquisa Tem sido um assunto de interesse de acadêmicos, da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos e da Agência de Pesquisas em Projetos Avançados da Defesa do Pentágono. Nos últimos anos, chamou a atenção do mundo empresarial. Microsoft, IBM, Northrop Grumman e BBN Technologies também começaram a pesquisar.

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Desafio. Embora os cientistas tenham criado qubits individuais, criar os conjuntos de de circuitos necessários para construir um computador quântico útil tem se mostrado uma tarefa hercúlea.

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