‘Homem que faz sexo com homem deve tomar antirretroviral’

Ação diminuiria a incidência do HIV em pessoas do sexo masculino até 25%

iG Minas Gerais |

Londres, Reino Unido. A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu, pela primeira vez, que todos os homens que fazem sexo com outros homens devem tomar remédio antirretroviral e usar preservativos. A indicação acontece em um momento em que as taxas de infecção pelo HIV entre gays estão atingindo altos níveis em todo o mundo.  

Em maio, os Estados Unidos emitiram diretrizes semelhantes. Em nota, a OMS publicou que “recomenda fortemente que os homens que fazem sexo com homens devem considerar tomar medicamentos antirretrovirais como um método adicional de prevenir a infecção pelo HIV”.

Gottfried Hirnschall, chefe do departamento de HIV da OMS, afirmou que as taxas de infecção entre homens homossexuais estão aumentando novamente após 33 anos do pico da epidemia. O pesquisador acredita que há uma diminuição do medo da infecção entre os jovens, devido ao acesso a medicamentos que permitem que pacientes vítimas da Aids vivam com a doença. Isso faz com que a prevenção diminua.

Atualmente, o grupo de jovens homossexuais homens possui 19 vezes mais chances de infecção do que a população em geral. “Nós estamos vendo a epidemia explodir”, disse.

Combinação. O uso de antirretrovirais seria uma complementação à prevenção. A utilização de um único comprimido com a combinação de dois antirretrovirais diariamente deveria ser feita junto com o uso do preservativo. Isso diminuiria a incidência do HIV entre homens entre 20% e 25% e evitaria um crescimento desproporcional da Aids na próxima década.

A advertência também foi sugerida para outros grupos de alto risco, com o alerta de que homens que fazem sexo com outros homens, transexuais, prisioneiros, pessoas que usam drogas injetáveis e profissionais do sexo, juntos, correspondem a cerca de metade de todas as novas infecções pelo HIV.

A OMS também alerta que muitas vezes são esses grupos que possuem menos acesso aos serviços de saúde devido à criminalização ou ao estigma que sofrem, o que faz com que fiquem temerosos em procurar ajuda, mesmo quando ela está disponível.

As mulheres transexuais e os usuários de drogas injetáveis, por exemplo, possuem cerca de 50 vezes mais riscos de contrair a doença do que a população em geral; já entre os profissionais do sexo, o risco é de 14 vezes a mais.

Entre 2001 e 2013, o número de pessoas que contraíram o vírus HIV diminuiu em um terço. Até o fim de 2013, cerca de 13 milhões de portadores do vírus recebiam tratamento, reduzindo drasticamente o número de mortos.

Infecções

Acesso. Segundo Rachel Baggaley, do departamento de HIV da OMS, ao deixar de procurar os serviços de saúde, esses grupos de risco terão “inevitavelmente mais infecções nessas comunidades”.

Flash

‘Funcional’. A cura funcional ocorre quando a presença do HIV é tão mínima que ele se mantém indetectável pelos testes clínicos padrões e discernível apenas por métodos ultrassensíveis.

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