Entre escritores, surra alemã sobre os brasileiros foi ainda maior

Em outubro de 2013, um time de escritores brasileiros foi massacrado por uma equipe de literatas alemães por 9 a 1; descrição do jogo se assemelha ao "Massacre do Mineirão"

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Escritores brasileiros do Pindorama foram goleados pelos alemães do Autonama por 9 a 1, em Frankfurt, no ano passado
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Escritores brasileiros do Pindorama foram goleados pelos alemães do Autonama por 9 a 1, em Frankfurt, no ano passado

Um prenúncio. Uma terrível ironia do destino. Premonição? Alguns tantos poderiam dizer que sim. No entanto, o que aconteceu no dia 11 de outubro de 2013, em Frankfurt, na Alemanha, era um sinal dos deuses do futebol que a arrogância brasileira poderia ser engolida pela coletividade e técnica alemã. Os escritores “canarinhos” do Pindorama FC que o digam. Perderam de 9 a 1 para o Autonama – abreviação de Autorennationalmannschaft –, o time dos escritores germânicos. Se eles pudessem ter alertado Luiz Felipe Scolari...

Em sua coluna no jornal “Folha de São Paulo”, publicada no dia 20 de outubro do ano passado, o escritor Antônio Prata ditou a tônica de um duelo amistoso entre literatas brasileiros e alemães durante a tradicional Feira de Frankfurt. O jogo amigável teve nuances de “Padrão Fifa”. Os escritores entraram de mãos dadas com criancinhas uniformizadas e até cantaram os hinos nacionais. Porém, quando a bola rolou, o que se viu foi um banho alemão.

Aproveitando-se da fragilidade de um time que nunca havia treinado junto, os germânicos deitaram e rolaram. Em um dos trechos de sua coluna, Antonio Prata descreve que “éramos, no entanto, 11 homens contra um time – e nem mais a deslavada arrogância brasileira pode achar que o talento individual, sem nenhuma organização, é capaz de vencer uma boa equipe treinada. (Muito menos uma boa equipe alemã treinada)”.

Qualquer semelhança entre o “Massacre de Frankfurt” e o “Massacre do Mineirão” é pouca. Além do placar dilatado das duas partidas, o respeito alemão ao abatido adversário brasileiro é tocante. Nenhum olé, toque de calcanhar, lances que poderiam esquentar os ânimos e tratar de dar fim ao espetáculo. Os alemães venceram na bola e na inteligência.

Presente naquela partida, o escritor e jornalista Vladir Lemos confirmou as palavras de seu companheiro de Pindorama FC. “Enfrentamos um time alemão muito bem organizado. Não tivemos muito tempo para nos prepararmos. Estes times de escritores são tradição na Europa, para se ter ideia, eles são os atuais campeões e treinam juntos desde 2005. Ficou difícil para nós. Foi um massacre nos mesmos moldes do Brasil no Mineirão”, afirmou.

"Eles possuem um plantel de 40 jogadores espalhados por toda a Alemanha. Além de termos treinado poucas vezes, tivemos uma baita má sorte. Jogaram contra nós apenas os melhores, que estavam ali perto de Frankfurt. Foi um atropelamento. No aquecimento já dava para saber como seria. Enquanto a gente batia bola e corria sem rumo como criança, eles faziam tudo que um jogador profissional faz", completou.

Apesar do futebol bem semelhante ao executado pela seleção brasileira, Lemos fez questão de destacar a evolução tática da equipe dos escritores brasileiros. Meses depois, Pindorama e Autonama se enfrentaram na capital paulista e o placar se manteve em pé de igualdade. “A grande lição que podemos tirar é que se você tiver consciência que é pior do que seu oponente, você consegue trabalhar em cima de suas fraquezas para evoluir. Nos preparamos para o jogo da volta, em São Paulo, arrumamos um técnico, treinamos mais (enfatiza), e conseguimos empatar. Aquele resultado foi uma vitória para nós. Ainda mandamos uma bola na trave”, concluiu.

Se no mundo da literatura, nossos ilustres escritores conseguiram igualar o jogo, dentro de campo, a esperança de dias melhores é o que embala a torcida brasileira.