Bate debate 11/7/2014

iG Minas Gerais |

Transparência   Adriano Legnari Fari Diretor Nacional de FAPMPdo Ibracon   Empresas com capital aberto, atividades reguladas ou que faturam mais de R$ 300 milhões ou apresentam patrimônio superior a R$ 240 milhões são, por lei, obrigadas a submeter suas demonstrações contábeis a auditoria externa. De certa forma, a partir dessa obrigatoriedade, essas grandes empresas aproveitaram a transparência para se diferenciar no mercado, utilizando essa exigência, num primeiro momento, como ferramenta de marketing. Hoje, todavia, essa transparência nas demonstrações contábeis tornou-se acima de tudo uma ferramenta de gestão. Como as pequenas e médias empresas não têm essa obrigatoriedade legal, não fazem o mesmo uso dessa ferramenta que passou a ser incorporada como uma exigência do mercado corporativo. Hoje, ser transparente é caso de sobrevivência. Não se trata de modismo.   Apesar da conhecida importância em ser transparente, é primordial tratar adequadamente qual será o apelo utilizado para que o pequeno e médio empresário adote essa postura. Ele sabe que é importante ser transparente em suas demonstrações contábeis, todavia, acredita que ficará vulnerável a algo que ele também não sabe o que é. Falta informação, e o grande prejuízo em não ter esse diferencial é que essas empresas tendem a ficar, cada vez mais, fora dos grandes mercados que adotaram a transparência como um pilar da governança corporativa.   Não existe no mercado empresa que foi prejudicada por ser transparente, ou seja, por informar ao mercado como vai a vida financeira da sua empresa. É fundamental para a sobrevivência demonstrar a sua realidade, seja ela qual for, bem como os seus planos para administrar eventual desajuste. Quando você não informa com transparência pode parecer que existe algo a esconder. E os efeitos são geração de dúvidas, desconfiança, descrédito e, por fim, a não geração de negócio que impede o crescimento dessas e de qualquer empresa.   Transparência é, sim, um diferencial, e se a empresa não tem esse diferencial, é preterida. A fila anda. As grandes empresas que possuem gestão profissional somente se relacionam com empresas que transmitem confiança. Essas empresas não compram matéria-prima de empresas das quais não tenham um grande grau de certeza de que irão receber o produto. Da mesma forma, não vendem para empresas que não demonstram capacidade de pagamento. Se o empresário não entender que a transparência gera valor para a sua empresa, independente do tamanho do seu negócio, se não se comunicar de forma adequada com o mercado, não irá prosperar.   A ausência de transparência mascara totalmente o desenvolvimento de qualquer processo de gestão corporativa. Numa empresa ocorre da mesma forma. Se não há uma gestão transparente, sem dúvidas as contribuições dos colaboradores e de todos que se relacionam com a empresa, não serão adequadas.    O grande desafio para as pequenas e médias empresas é ultrapassar a fase de transição e acabar de vez com o viés da transparência. No mundo corporativo, cada vez mais, o pensamento tenderá a ser coletivo, sem espaço para meio termo.

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