Abundância, comida árabe e Pletora

iG Minas Gerais |

acir galvao
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O significado de pletora é superabundância, profusão. Não me pareceu ser o caso no restaurante de culinária árabe da rua Levindo Lopes, quase esquina de Tomé de Souza, nos fundos do Palácio da Liberdade, e ao lado do Dona Derna.    Ali, as porções são reduzidas, como na mezze, entrada mista para a qual se pode eleger cinco entre sete opções de frios. Optei por coalhada seca, azeitonas, quibe cru, pasta de grão de bico e babaganuche. Corretas as três últimas, excepcional a primeira, deliciosa na textura e no sabor, um pouco menos ácida que o habitual. Azeitona azapa é boa aqui, ali, alhures, assim como a Stella Artois. Estava sozinho e bebi uma só, porque conheço os limites para uma direção segura. Será que o bafômetro acusaria? Provavelmente sim, mas nem eu nem ninguém andamos vendo blitze como as dos primeiros tempos da Lei Seca, bastante desacreditada, segundo recente reportagem de O TEMPO.   E ainda tem inocente que acredita que lei excessivamente rigorosa, mais realista que o rei, dá conta da realidade. A ver se esse país aprende antes de reduzir maioridade penal ou inventar pena de morte: eficiência para fiscalizar e punir importam mais que a severidade das penas. Só que pra isso tem que ter gasolina para os carros de polícia, né? Concurso público para policial, fiscal. Em resumo: tem que se pensar duas vezes antes de sacrificar despesas de custeio, normalmente exorcizadas pelos comentaristas de economia e os governos liberais. E também é preciso aumentar o controle social sobre as corporações, porque senão elas vistoriam o anel rodoviário depois de um acidente grave e depois somem! Você passa por lá de vez em quando? Dia desses tive que abrir a buzina atrás de uma carreta que transitava na pista da esquerda, em quixotesco exercício de cidadania, ante policiamento zero. No Pletora, também pedi a porção de quibes de carne bovina, nada crocantes, mas com trigo e carne bem moídos. Honestos. Os charutos de folha de parreira estavam muito bons. Vegetal tenro, sem emborrachar na boca como acontece em alguns lugares. Condimentação perfeita. O mesmo pode ser dito da kafta de cordeiro, mas acho que devia vir um pouco menos grelhada. De minha parte, esqueci de dizer ao simpático garçom que preferia malpassada. A refeição para um, depois do mix de entrada, permitiu que eu saísse satisfeito. Mas a conta, na faixa de R$ 120, mostra que a relação custo-benefício não é das melhores, sobretudo se comparada à da Casa de Abraão, de preços similares, mas com culinária superior, ou à da Vila Árabe, de preços melhores e culinária quase tão boa quanto, excepcionados charutos e coalhada, a bem da verdade. Como eu disse, tem uns nomes de estabelecimento que a gente fica se perguntando o porquê deles. É bem o caso do Pletora, que também não é superabundante em matéria de espaço. Mas as instalações próprias de bistrô são simpáticas e aconchegantes. Bacana a iluminação, com uns novelos de fio colorido de onde pendem lâmpadas grandes e de luz amarela. Suponho que não sejam incandescentes, porque elas tiveram sua fabricação suspensa recentemente, mas o efeito é o mesmo e fiquei curioso para saber de que tipo são. Belo Horizonte precisa de mais alternativas no que se refere à culinária do Oriente Médio. O Pletora merece aplauso por suprir parcialmente essa lacuna, ao menos oferecendo ambiente e atmosfera convidativos para casais. E pensar que perdemos o ótimo Amigo do Rei, no Santo Antônio, lembra? Ele foi para São Paulo, onde já havia a maravilhosa Casa Garabed, em Santana, São Paulo (de culinária armênia, que também é do Oriente Médio e lembra um bocado a árabe). Sem falar no Arábia, que mata de inveja qualquer amante da cozinha árabe em Belo Horizonte. Refiro-me ao tradicionalíssimo e ótimo estabelecimento da Haddock Lobo, nos Jardins, e não à filial do Shopping Iguatemi, é bom frisar.

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