‘Susan Sarandon não tem mais nada a provar ao mundo’

iG Minas Gerais | Dave Itzkoff |

O não-conformismo é uma constante na vida de Susan Sarandon
JAKE CHESSUM
O não-conformismo é uma constante na vida de Susan Sarandon

Nova York. Se Susan Sarandon não tem dificuldade de pôr sua reputação à prova interpretando a torcedora de um time de beisebol de segunda categoria como em “Sorte no Amor” ou uma virgem seminua em “The Rocky Horror Picture Show”, a facilidade dos diretores que a procuram com papéis tão peculiares não é a mesma.

Michael Tully, roteirista e diretor de “Ping Pong Summer”, por exemplo, esperava que Susan, sua sócia na franquia SpiN – casa noturna que oferece tênis de mesa – mostrasse um mínimo interesse em seu filme independente de baixo orçamento, mas quase caiu de costas quando ela aceitou participar do projeto.

“Susan Sarandon não tem mais nada a provar para o mundo; já fez tudo o que poderia para confirmar uma carreira de sucesso em Hollywood, mas continua batalhando. Não sei por quê. Talvez ela possa explicar. Ou um terapeuta. Eu só acho sensacional que ela continue tão motivada e tão entusiasmada em termos profissionais”.

Sua presença sempre assume um clima tranquilo e discreto: “Sem dúvida, se vou a uma festa, sou a que fica horas conversando com uma, no máximo duas pessoas. Não bebo muito, prefiro mais um cigarrinho suspeito”.

Ao mesmo tempo é visceral quando se trata de defender suas visões políticas – e protetora em relação a aliados como Somaly Mam, uma cambojana que luta contra o tráfico sexual acusada de fabricar a própria história.

“Ninguém a acusa de roubar dinheiro, molestar crianças ou matar os filhos de fome”, retruca ela.

O não-conformismo se faz presente em sua vida nas mais variadas formas: durante muitos anos foi grande amiga de Leary, o espiritualista psicodélico que lhe deixou parte de suas cinzas; e usa um colar com a palavra “honey” (“querida(o)”), apelido que escolheu para si mesma para ser usado pela futura neta e substituir o tradicional “vovó”.

“Minha cabeleireira me contou que é tradição no sul e eu achei fabuloso. Adorei. ‘Querida, vem cá’. ‘Cadê a querida?’. É o que eu quero para mim”.

Eva Amurri Martino, 29, filha da atriz com o diretor Franco Amurri e que já participou de comédias de TV como “The Mindy Project” e “Undateable”, diz que a mãe não tem as qualidades típicas de toda avó – a não ser a falta de familiaridade com a tecnologia.

“Ela aprendeu a fazer uma coisa no telefone, que é tuitar como Penny”. (Penny Lane é a cachorrinha de Susan, que conta sua vida através do Twitter em @MsPennyPuppy.)

Susan, que também é mãe de Jack Henry Robbins, 25, e Miles Robbins, 22, frutos de seu relacionamento com Robbins, disse que queria que eles a vissem em “Tammy”, embora o papel não seja nem de longe tão chocante como outros que já fez.

“Eles acham que tudo é cena de sexo; pode ser até um beijo e você nem precisa estar sem roupa; no entanto, também aprontam bastante e têm um senso de humor ótimo”.

Só não ficaram muito à vontade quando foram expostos a certos trabalhos seus exibidos pela Sociedade do Cinema do Lincoln Center, em 2003, em uma festa em sua homenagem.

Susan relembra a ocasião: “Meu filho mais velho me perguntou: ‘Nunca passou pela sua cabeça que um dia teria filhos?’. Minha filha nem ligou, mas o mais novo disse: ‘Olha, mãe, até gostei, mas me deu meio medo’”.

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