Capivaras deixam orla e agora invadem jardins

Moradores do bairro Bandeirantes reclamam do risco de contaminação e da sujeira

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Moradia. Animais sobem para jardins residenciais à noite
Lincon Zarbietti / O Tempo
Moradia. Animais sobem para jardins residenciais à noite

Enquanto o plano para retirar as capivaras do entorno da lagoa da Pampulha espera aprovação do Ibama, os animais deixaram os limites da orla e agora estão se acomodando nas calçadas de algumas casas da avenida Torino, no bairro Bandeirantes. Preocupados com possíveis contaminações por febre maculosa e com a infestação de carrapatos, moradores da região já pediram ajuda no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da prefeitura e na Fundação Zoo-Botânica – sem sucesso.

O empresário Márcio Lage, 61, conta que um dos animais está bastante machucado. Quase todas as noites, um grupo de cerca de cinco capivaras sobe a avenida Torino para deitar nos jardins externos das residências. O resultado são gramados repletos de carrapatos, passeios cheios de fezes e muros sujos do sangue do bicho machucado. “Outro dia, tivemos que ir tocando as capivaras até a lagoa. Elas sobem a rua sempre à noite ou de manhã”, afirma Lage, ressaltando estar preocupado, pois netos e sobrinhos pequenos brincam na região. Segundo os moradores, a infestação de carrapatos tem afetado os animais de estimação da vizinhança. “Não estou mais andando com meu cachorro na orla, porque ele vai pegar carrapato mesmo”, contou o contador Alexandre Passos, 45. Ele destaca que muitas vezes precisar afastar as capivaras do portão para conseguir entrar em casa. Denúncia. Os moradores afirmam que, na última semana, ligaram para o controle de zoonoses para pedir que a capivara ferida fosse recolhida. O órgão pediu que eles entrassem em contato com a Fundação Zoo-Botânica que, por sua vez, mandou que eles ligassem para a Associação Protetora dos Animais. “As autoridades não se manifestam e não tomam uma providência”, disse Márcio Lage. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde, que responde pelo CCZ, informou que nenhum pedido de recolhimento de capivara foi registrado e que não captura animais silvestres, somente domésticos e em situação de rua. A fundação informou que também não recebeu o pedido e que, nesses casos, orienta que o morador ligue para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou para a polícia ambiental, já que não tem autorização para recolher o bicho. Nenhum representante da Associação Protetora dos Animais foi encontrado.

Plano de manejo Custo. Em março, a prefeitura assinou contrato com a empresa que removerá e tratará as capivaras que vivem na Pampulha. O trabalho custará R$ 182 mil. Andamento. Nessa quinta, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que o plano de manejo está em análise pelo Ibama, e “tão logo seja aprovado, será iniciada a captura”. No levantamento feito, foram contadas 88 capivaras. Medo. Reportagem de O TEMPO do dia 27 de fevereiro deste ano mostrou que o medo de contaminação afastou frequentadores da lagoa da Pampulha. 

Gravidade Morte. Segundo o Guia de Vigilância Epidemiológica, do Ministério da Saúde, 80% dos casos da doença podem levar à morte se o tratamento não começar imediatamente após o diagnóstico.

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