Crédito é melhor que isenção

Inadimplência subiu, e os bancos ficaram mais restritivos na hora de conceder financiamento

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Demandas. Concessionárias esperam um cenário de juro mais baixo e prazo mais longo de financiamento para vender em ritmo forte
ALEXANDRE GUZANSHE/O TEMPO
Demandas. Concessionárias esperam um cenário de juro mais baixo e prazo mais longo de financiamento para vender em ritmo forte

Desde abril, quando a taxa básica de juros (Selic) subiu para 11% ao ano, já não se compram mais carros tão facilmente. Se, de um lado, os juros aumentaram, do outro, os prazos encolheram, e, para conseguir prestações menores, o consumidor tem que ter mais dinheiro na mão para dar entrada. Por isso, o setor de concessionárias afirma que, para melhorar as vendas, que no primeiro semestre caíram 7,6%, vai ser preciso muito mais do que a prorrogação da redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI).  

No dia 30 de junho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a extensão do benefício fiscal até o fim do ano. “A medida do IPI ajuda, mas já está desgastada. O setor precisa mesmo é de redução nos juros e flexibilização dos bancos, para que seja possível oferecer prazos maiores e uma entrada menor”, afirma o gerente de novos da Banzai Pampulha, André Lisboa.

O diretor da consultoria ADK Automotive, Paulo Garbossa, concorda que o IPI reduzido já não basta mais. “Não adianta o preço ser bom se o consumidor não tem o dinheiro na mão para pagar. O que é preciso é um somatório de forças do governo, das montadoras e dos bancos para criar um plano com redução de juros e aumento dos prazos”, afirma Garbossa.

Segundo Lisboa, até antes do aumento da Selic, a concessionária estava trabalhando com promoção de 50% de entrada e 24 vezes sem juros. “Há dois meses, a promoção mudou, e a entrada subiu para 60%”, afirma.

Há cinco anos era comum parcelar carros em até 72 meses, mas a média era 60 meses. “Agora a média caiu para 48 meses. Isso aconteceu porque a inadimplência subiu e os bancos ficaram cada vez mais restritivos na hora de conceder o crédito”, afirma Garbossa.

Famílias endividadas. O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, observa que o problema não é nem o IPI nem os juros. “Os juros cresceram, mas o problema é o endividamento das famílias. A inflação subiu e corrompeu a renda da população. Com isso, a inadimplência subiu e fez os bancos ficarem mais rigorosos e elevarem as exigências, inclusive subindo o valor das entradas para a compra de carros”, avalia Oliveira. De acordo com o Banco Central, a taxa média anual da inadimplência para aquisição de veículos, que em maio de 2012 era de 16,22%, em maio deste ano alcançou 18,24%. A taxa média de juros para comprar carro, que encerrou 2012 a 19,8% ao ano, em junho chegou a 23%. O prazo médio de financiamento, que em dezembro de 2012 era de 46,5 meses, em junho foi de 44,3 meses.

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