Passageiros arriscam a vida em transporte clandestino

Vans e carros particulares ficam estacionados nos principais pontos do centro da cidade à espera de passageiros; muitos veículos estão em condições precárias

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

‘Nem aí’. 
Com frequência, é possível flagrar vans “fisgando” clientes em um ponto na rua Rio de Janeiros
‘Nem aí’. Com frequência, é possível flagrar vans “fisgando” clientes em um ponto na rua Rio de Janeiros

 

Com o objetivo de chegar mais rápido ao destino, muitos passageiros abrem mão da segurança e embarcam, diariamente, em transportes clandestinos de Betim. A cena pode ser vista com frequência em alguns dos principais pontos do centro.    Na rua Rio de Janeiro, ao lado da Câmara Municipal, vans e carros ficam estacionados, em fila, próximo a um ponto de ônibus, à espera de passageiros com destino a Contagem e Belo Horizonte. Com as chaves do carro nas mãos e gritos avisando o destino, os “perueiros” tentam fisgar os clientes.    Para avaliar a qualidade do serviço, a reportagem de O Tempo Betim fez uma viagem com clandestinos na última semana. Nossa equipe pegou uma van no metrô do Eldorado, em Contagem, com destino a Betim e constatou que as principais vantagens apontadas pelos usuários são a viagem mais rápida e o tempo de espera menor. “Gasto cerca de 25 minutos até o centro da cidade”, contou o vendedor ambulante Ricardo Aguiar, 32.   Outra vantagem é o fato de o desembarque poder ser combinado com os motoristas. Com uma boa negociação, os passageiros são deixados em frente ao local desejado. “Quando você pega um ônibus, o motorista está condicionado a uma empresa. No transporte clandestino, não. A gente consegue negociar”, disse o estudante Jonatha Souza, 26.   Já a recepcionista Marlene Guimarães prefere a segurança do serviço legalizado. “Os ‘perueiros’ correm muito. Na pressa pelo lucro, eles acabam excedendo o limite de velocidade e colocando a vida dos usuários em risco. Além disso, eles não obrigam que as pessoas usem cintos de segurança, e muitos carros estão em condições precárias”, justificou.   A auxiliar administrativa Bruna Oliveira, 25, que mora em Belo Horizonte e trabalha em Betim, disse que usa os carros porque considera o itinerário dos coletivos ruim. “Meu bairro é em frente à estação Cidade Industrial, e, de ônibus, dou muita volta até chegar ao meu destino”.   Organização   Desafiando as autoridades, os motoristas ilegais adotam estratégias para fugir da fiscalização, como seguir até os destinos direto, sem parar em pontos. Além disso, eles agem em grupo, de maneira organizada. Na última terça-feira (8), enquanto aguardava passageiros, um “perueiro”, ao avistar uma viatura da Polícia Militar no centro, chegou a alertar os colegas. “Cuidado pessoal. Os homens (policiais) estão na área”, gritou.   Para conseguir um maior número de passageiros, os clandestinos ficam atentos ao quadro de horários do transporte público. Dessa maneira, eles chegam aos pontos primeiro que os ônibus.

 

Respostas

 

A assessoria de imprensa do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) informou que fiscalizações são feitas em dias e horários que minimizam a possibilidade de ser estabelecida uma rotina, impedindo que o transgressor preveja e fuja do cerco.   A assessoria destacou ainda que, caso um “perueiro” seja flagrado transportando passageiros, o veículo é apreendido, e o motorista é autuado em R$ 1.319,10, além das despesas provenientes do reboque e da estadia do carro no pátio. No caso de reincidência, o valor da multa dobra.    O DER também ressaltou que entre as desvantagens de usar o transporte clandestino está o risco de acidentes. “É necessário ressaltar também que o transporte clandestino contribui para minar o transporte regular, o que compromete os necessários investimentos no sistema de transporte”, completou a assessoria, ao frisar que, em 2013, ocorreram 319 apreensões em Betim e, neste ano, 70.    Já a Santa Edwiges destacou que a empresa é composta de pessoal capacitado para atender aos passageiros da melhor forma possível, mas que “fatores que fogem ao controle, como congestionamento do trânsito, acidentes e obras, são muito comuns nos dias atuais”. A Santa Edwiges ressaltou ainda que, diariamente, é realizado um monitoramento das linhas para que não haja atrasos.   A Transbetim disse apenas que a fiscalização de clandestinos é de responsabilidade do DER/MG. 

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